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O pós-pandemia, o que será?

22 de agosto, 2020 - por Max Franco

Quando a pandemia da gripe espanhola acabou, a única “grande” mudança que ocorreu no comportamento humano foi que as pessoas da época passaram a lavar mais as mãos e escovar mais os dentes.
Quando a 1a Grande Guerra acabou, os sobreviventes se prontificaram a nunca mais entrar em conflitos daquela natureza.
Não demorou muito, já estavam armados mais ainda e prontos para a 2a Guerra.
Depois tivemos, além da Guerra Fria, não sei quantos litígios regionais, como as diversas ditaduras militares e revoluções pululando em todo o mundo.
Os EUA, por exemplo, entraram em inúmeras aventuras militares como em Cuba, Vietnam, Golfo Pérsico e Afeganistão.
Eu acho certa graça quando dizem que essa pandemia do covid vai ser decisiva para uma “grande mudança” nos hábitos dos seres humanos atuais, quem sabe para uma evolução de consciência (ou espiritual) da humanidade.
Não estou dizendo que os seres humanos não evoluem. Darwin e a História dizem o contrário. É lógico que evolui. Só não existe essa evolução retilínea e cartesiana. A humanidade evolui como quem sobe uma montanha repleta de curvas, subidas íngremes e grandes depressões. É um avanço helicoidal, numa espiral cheia de sobe-e-desce.
Em relação à tecnologia, de fato, o século XXI é um elevador que só vai para cima.
Mas se falarmos de Literatura, Filosofia, Artes plásticas e tantas expressões estéticas da alma humana, o século XXI é um grande embuste e uma decepção quase absoluta.
A questão é que queremos nos sentir especiais e, por isso, temos a pretensão de que vivemos um período extraordinário para a história do homem sobre a Terra. Não é um novo “Renascimento”. Não é nada perto disso. Não temos Dantes, nem Leonardos, nem Michelângelos, para nos guiar. Temos uns loucos, ignorantes e histéricos na primeira fila. E eles – sei lá por qual motivo – lideram as massas.
Nos 2020’s, a humanidade é pródiga em produzir desumanidade, e ignorância, e superstição, e fanatismo, e medievalismo, e egocentrismo, e obscurantismo.
Por que não espero grande coisa da humanidade?
O Motivo é simples: tenho 50 anos e já vi muita coisa e conheço algo de História. Os homens não aprendem coisa alguma rapidamente. É que nós precisamos de algum tempo, às vezes de gerações para aprender algo relevante. E o pior é que, para agravar a debilidade cognitiva, ainda temos uma péssima memória para tudo que é importante.
O que espero, então, que ocorra depois da pandemia?
Se as pessoas lavarem mais as mãos e escovarem os dentes, já vou ficar feliz.