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Vivamos
01 de janeiro, 2026 - por Max Franco
Então é isso: vai-se 2025 e 2026 espera, à porta, para entrar, mas essa troca de dígito não significa grande coisa caso não queiramos que signifique algo. Anos passam, o tempo passa e nada afeta o tenaz caminhar do ponteiro dos relógios. Talvez alguém afirme que, na verdade, o tempo não exista ou seja apenas uma ilusão, uma teoria que já foi defendida por diferentes pensadores ao longo da história, tanto na ciência quanto na filosofia. Cá com os meus botões, tenho a impressão que se o tempo pudesse ser inquirido, ele afirmaria que somos nós é que não existimos (ou somos uma mera ilusão!), afinal aqueles que dizem que o Tempo não existe duram tão pouco dizendo-o.
Aqui do meu lugarzinho do universo, consigo aperceber-me com muita clareza a passagem do tempo pelos efeitos que ele causa a mim e aos meus contemporâneos. Dias atrás, assisti pelo Youtube, a um show antigo do Genesis, acho que era de 1977. Ver o Phil Collins saltitando serelepe naquele palco e vê-lo, recentemente, precisando de uma bengala, quase sem voz, para se apresentar em um novo show foi algo que me deixou estranhamente impactado e preocupado. Afinal, se a decrepitude o atinge, e de tal forma, como não me atingirá.
Você deve estar se perguntando: mas essa ficha está caindo só agora? Você não sabia que tempo sempre ganha e cobra as suas promissórias? Você não sabia que a decadência e os achaques vêm para todos que sobrevivem até o dia que não mais?
Sabia de aula teórica.
Hoje sei metodologias ativas. Sei sabendo e sentindo, e temendo.
O tempo pode ser relativo, velho Albert. Mas ele existe sim e não está nem aí para nós ou para os nossos planos.
Pois cai mais uma folhinha no nosso calendário. E o Tempo entra, cada dia mais, em modo turbo. Qual água, escorrega da minha mão que se apressa ao tentar retê-lo, em vão.
Não demora e serei apenas lembranças, depois nem isso.
O que me resta? Não direi “viver intensamente”, porque isso é auge do clichê. Direi “viver desfrutadamente”. É o que me proponho: desfrutar cerimoniosamente cada momento, cada sabor, doce, azedo ou amargo, tentando não me distrair (demais!). Ou me distraindo propositalmente. Não tenho mais tempo a perder, mesmo que ele seja apenas uma ilusão. Tenho minhas pessoas para amar e cuidar. Tenho trabalho a fazer. Tenho Vida a viver. Tenho pressa de viver, diria Belchior.
Pois vivamos.

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