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Passagem

18 de abril, 2022 - por Max Franco

Em muitas religiões e culturas, são comuns o rituais de passagem, ritos de vida, morte e renascimento que nos trazem reflexões sobre transitoriedades e transformações que são fundamentais para a existência. A natureza vive este ciclo, por que o ser humano não o teria?
A Páscoa é mais uma dessas celebrações míticas que nos lembra, além das questões doutrinais que são dogmas de fé, que a Vida é toda uma grande passagem, isto é, uma sequência de mudanças do primeiro ao derradeiro dia.
Em outras palavras, não somos tanto quanto estamos. Quem está vivo, muda. Talvez viva mais quem mude mais, então? Não sei. Sei que vivi muito e mudei muito. Como diz Quintana, não me reconheço mais no meu rosto. Já fui tanta coisa que gostei de ser. E outras que odiei. Sei que preciso comemorar essas mudanças, celebrar o que me tornei e, principalmente, depurar, purgar os malfeitos e as omissões para depois aprender a perdoar-me. E aprender a perdoar. Por isso, Páscoa fala de perdão. Sem perdão, ficamos em estágios anteriores. Paramos no tempo errado e evitamos a próxima fase. É uma questão de timing, de erro de sincronia, de perder o tempo, o ritmo e o passo.
Espero, portanto, perdoar a todos, inclusive a mim.
Espero, com certa esperança, também ser perdoado.
Afinal, aquele do passado, passou.
A vida seguiu e pediu transformações. Eu as aceitei.
Vida, afinal, pede certas mortes e ressurreições. A vida é ciclo e, por isso, círculo.