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29o livro – O pio da coruja e outros textos escolhidos a esmo

16 de julho, 2026 - por Max Franco

Há histórias que apenas contamos. Outras nos obrigam a olhar novamente para aquilo que julgávamos conhecer.
Em O Pio da Coruja e Outros Textos Colhidos a Esmo, Max Franco transforma inquietações, afetos, perdas, contradições e encontros em uma travessia literária marcada pela sensibilidade, pela ironia e por um olhar profundamente humano.
Entre crônicas e contos, o leitor encontrará personagens e situações que transitam pelos territórios imprevisíveis da existência: o amor e a ausência, a esperança e o medo, a fé e a dúvida, a injustiça, a morte e, sobretudo, essa estranha e fascinante aventura que chamamos de vida.
Com uma escrita provocadora, envolvente e, por vezes, surpreendentemente íntima, Max Franco não oferece respostas prontas. Ele faz algo mais inquietante: lança perguntas, desmonta certezas e nos convida a enxergar o extraordinário escondido nas pequenas coisas — e também aquilo que, muitas vezes, preferimos não ver.
Este não é apenas um livro para ser lido.
É um livro para ser sentido, questionado e levado consigo depois da última página.
Abra estas páginas. Escute o pio. Talvez alguma dessas histórias também esteja falando sobre você.

 

Pensar demasiado não me transforma em filósofo da mesma forma que beber muito vinho também não me faria um sommelier. Talvez pensar adequado me servisse para algo, mas não estou seguro de que sei mexer bem nessa maquininha de cismar chamada pensamento. Devo ter faltado o curso, me atrasei na aula ou perdi o manual. Pensar me serve mais para afugentar o sono, me empurrando insônia, do que para o cultivo de cogitações indispensáveis. O jeito, então, é partir para a fuga de sempre, o velho remédio, que é o de colocar palavras uma à frente de outras, perfilando conjecturas e sentimentos. Que gente louca e mais sem sentido é essa que se dedica, horas a fio, a enfileirar palavras! Por que não me disponho logo a fazer dancinhas no tiktok? Essas – sim – serviriam para algo.

Então, escrever serve para quê? Para poder contemplar, fora de mim, as minhas muitas desditas e parcas venturas; para vê-las e ver-se. Para erguer alguma esperança à frente e por todos os lados, principalmente, aquelas que não enxergo a olho nu. Talvez, ao enxergar as palavras explícitas e espichadas no texto, a vida consiga fazer algum sentido. Enfim, para extirpar palavras de mim como se arranca um câncer das carnes. É que palavras estagnadas também contaminam.

Dormir é melhor que escrever, todos sabem. Porque, também como todos sabem, escrever é das tarefas mais gratuitas que um sujeito pode empreender. Mas não se escreve para nada. Escrita com objetivo é tese, jornalismo ou o tal do copywriting. Palavra com objetivo é produto, e não sou afeito a grafar produtos.

Não sei se escrevo mesmo para nada. Escrevo, porque não há outro jeito senão escrever.

Não sei se escrevo para, talvez escreva por.

Escrevo quando, e quando não há saída além do rabisco agoniado do escrevente.
Escrevo agora por causa do ontem e apesar do amanhã. Escrevo tanto ou muito, mas sem obrigação de nada. Escrevo grátis.

Escrevo para que me leiam até mesmo quando não me querem saber.

Escrevo, porque não há condenado sem último pedido. Porque não se amordaça palavra em vão. Porque toda escrita é, a rigor, uma delação, mas uma delação despremiada, desescutada, deslida e desapercebida.

Afinal, o que é uma palavra senão um suspiro?

Agradeço, então, a todos os suspiros que me chegaram nesses anos. A todos os loucos, desajustados, alienados, autores, pensadores, pesquisadores, dramaturgos, artistas, músicos, poetas, teóricos e, em especial, agradeço às palavras e aos seus criadores. O que seria do mundo sem palavra? O que seria da Vida sem música. Não haveria nem mundo a se habitar nem Vida boa a ser vivida. Haveria mero lugar e ocioso instante. Por isso, antes de tudo, há sempre o Verbo. Obrigado, Verbo, por encarnar e nos civilizar, ao menos um pouco.  Você é a nossa única chance de civilização.

Além deste obrigado, outros.

Obrigado, Rebeca Benevides Pinto por tudo que houve, há e, principalmente, pelo que virá. E agradeço pelas suas palavras no prefácio tão bem descrito. É muito reconfortante ver nossas palavras casadas em um livro escrito com tão carinho.

Obrigado, filhos, irmãos, amigos, amados, por me proporcionarem significados, consolos e propósitos à Vida.

Obrigado, André Abucham pelo generoso incentivo que materializou este livro.

Agradeço, por fim, a quem sempre costumo agradecer: a você, caro leitor, cara leitora, que – por alguma razão inusitada – decide abrir estas páginas, passar essas folhas e, quem sabe, se deter em algumas palavras deste texto. Palavras nasceram para serem acompanhadas. Palavras sozinhas e mudas amofinam e padecem de inanição. É um privilégio e uma honra que você exista e esteja aqui.

 

Max Franco

 

 Prefácio

 

 

 

Eu fui convidada a escrever este prefácio como me pediriam para comprar pão, sem grande pompa ou dobrar de joelhos, enquanto fazia o almoço, talvez porque nos últimos anos venho participando de livros deste autor dessa mesma exata maneira, despretensiosa e vagarosamente, dando pitacos aqui e acolá.

Esse livro nasceu de uma coletânea de contos e crônicas escritos em diversos momentos, muitos, assim como eu, não tinham a presunção de estar em um livro. Não por falta de adjetivos ou qualidades, mas pela naturalidade e leveza com que foram escritos.

Acontece que esse é o melhor predicado do livro que você investe em ler. Como a maioria dos textos do Max, essas letras fluem sem você nem sequer perceber, o livro vai lhe lendo, enquanto acredita que é você quem está realizando tal feito.

Eu tenho o prazer diário de participar das criações e, mais importante, de dividir os pensamentos do autor que você lerá. Neste livro, você terá semelhante sensação. Degustará com ele o café ao lado do computador, o aperto no peito ao ouvir mais uma notícia no noticiário, a amargura e a gratidão das lembranças, a dor de amar e não poder abraçar, o jorrar das lágrimas em silêncio.

Convidamos você a participar conosco desse caos que é a vida, simples e pura.

Garanto que, a cada página virada, valerá mais a pena prosseguir essa vivência, afinal, eu escrevo por amor, ele escreve com todo o coração.

 

Rebeca Pinto

  

Sumário:

 

Agradecimentos __________________________

Prefácio – Por Rebeca Pinto ________________

Textos

 

  1. O pio da coruja __________________________
  2. Escasso olhar ___________________________

III. Maria da Silva ___________________________

  1. Porque se chamavam homens _____________
  2. Dos infernos____________________________
  3. O amor no tempo do corona________________
  4. Texto motivacional_______________________

VII. O silêncio da manhã_____________________

VIII. Alma postiça___________________________

  1. Condicionado___________________________
  2. A fonte_________________________________
  3. Redenção_______________________________

XII. Os frutos de ontem e de hoje______________

XIII. O sorriso eterno ________________________

XIV. As pandemias __________________________

  1. As lições da queda_______________________

XVI. A busca de deus_________________________

XVII. As vidas de uma vida____________________

XVIII. A vida é sobre_________________________

XIX.  Mãeterna_______________________________

  1. A vida que queria ter_____________________

XXI. A pata do mastodonte____________________

XXII. A vida tem coisas ______________________

XXIII. Água e terra____________________________

    

 

 

 

Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.

 

Charles Chaplin