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Projeto de vida

09 de maio, 2021 - por Max Franco

 

                         Neste momento, é difícil encontrar uma área profissional que não tenha sido atingida em cheio pela pandemia. Entretanto, sem dúvidas, a Educação foi seriamente alvejada pela munições de um vírus que não apresentou compaixões. Os prejuízos pedagógicos são tão avassaladores que fica até complicado se fazer balanços.
A implementação da BNCC, por exemplo, parece-nos um artigo luxuoso quando até o básico não é assegurado. Afinal, não é todo estudante que consegue ter acesso às aulas durante a pandemia.
O quadro fica ainda mais obscuro quando falamos do Ensino Médio. Afinal este ano de 2021 seria (teria sido?) um ano fundamental para a implementação da BNCC nas escolas de todo o país.
Como ficará o Ensino médio depois deste período tão crítico? Ainda podemos falar de “projeto de vida” e “itinerários formativos”?

Os caminhos da Educação brasileira foram definidos pela BNCC que foi promulgada em 20 de dezembro de 2017. O prazo final para a implementação da Base, como um todo, foi o ano de 2020. Em 2019, ela começou a ser introduzida na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. No Ensino Médio, a implementação deveria ter sido iniciada em 2020 no primeiro ano e seguir até 2022, quando será implementada no 3o ano. O problema é que este processo também foi atingido pela pandemia e, mesmo que alguns sistemas de ensino apostilados e editoras do segmento educacional já tenham montado os respectivos projetos, muitas escolas estão com dificuldades para realizar estas adequações.

Uma das questões que trazem mais dúvidas aos educadores, além do Itinerários formativos, é o componente denominado Projeto de Vida. O Novo Ensino Médio torna obrigatório que o Projeto de Vida dos estudantes seja desenvolvido em todas as escolas, com o intuito de desenvolver algumas habilidades, como cooperação, compreensão, saber argumentar, fazer uso de tecnologias, respeitar e analisar o mundo ao seu redor.

Projeto de Vida é um componente curricular do Novo Ensino Médio, de acordo com a Lei nº 13.415/2017, que estabelece as diretrizes e as bases da educação nacional, e define no artigo 3º § 7º que:

“Os currículos do ensino médio deverão considerar a formação integral do aluno, de maneira a adotar um trabalho voltado para a construção de seu Projeto de Vida e para sua formação nos aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais”.

A BNCC propõe o Projeto de Vida entre as suas 10 competências gerais, que devem ser contempladas até o Ensino Médio. A competência de número 6, “Trabalho e Projeto de Vida”, prega:

“Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais, apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu Projeto de Vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade”.

É importante que as escolas se dediquem a desenvolver esta competência, considerada como fundamento básico para a formação integral dos estudantes.

O Projeto de Vida deve possibilitar ao estudantes experiências na escola, com a tutoria dos professores, mas respeitando a autonomia para tomarem as próprias decisões. Dessa forma, o jovem deve elaborar o próprio Projeto de Vida, a partir das suas preferências, mas com a facilitação da escola.

O novo Ensino Médio tem como foco essa competência, que abriga os aspectos acadêmico, profissional, social e pessoal, com o objetivo de promover a formação integral dos estudantes, ao favorecer orientações, experiências e os conhecimentos necessários para encontrarem seus lugares no mercado de trabalho. A intenção é a de formar cidadãos responsáveis, participativos, críticos e éticos.

O trabalho com Projeto de Vida deve possibilitar experiências que abram horizontes sobre os novos desafios da contemporaneidade (sociais, econômicos e ambientais) e que, por sua vez, ajudem a formar protagonistas, ou seja: sujeitos críticos, cooperativos, criativos, autônomos e socialmente responsáveis.

Para se trabalhar com Projeto de vida, a escola deve promover experiências em diversas áreas:

  • Favorecer a atribuição de sentido às aprendizagens;
  • Garantir o protagonismo dos estudantes em sua aprendizagem e o desenvolvimento de suas capacidades de abstração, reflexão, interpretação, proposição;
  • Valorizar os papéis sociais desempenhados pelos jovens;
  • Qualificar os processos de construção de sua identidade e de seu Projeto de Vida;
  • Assegurar tempos e espaços para que os estudantes reflitam sobre suas experiências e aprendizagens individuais e interpessoais;
  • Promover a aprendizagem colaborativa, desenvolvendo nos estudantes a capacidade de trabalharem em equipe;
  • Estimular atitudes cooperativas e propositivas para o enfrentamento dos desafios da comunidade, do mercado de trabalho e da sociedade em geral, alicerçadas no conhecimento e na inovação.

Formação integral

Projeto de vida, neste caso, com formação integral. E o motivo disso é simples: atender às expectativas dos estudantes e às demandas da sociedade contemporânea. Para tal, o aluno precisa desenvolver o autoconhecimento e o senso crítico com o intuito de descobrir as próprias inclinações como também as ofertas do mercado a fim de que possam fazer as suas projeções para o futuro.

Trabalhar o Projeto de Vida favorece que os alunos se aproximem da realidade e facilita sua escolha futura. Dessa maneira, o estudante é levado a refletir sobre sua identidade e seu papel na sociedade, contribuindo com o seu desenvolvimento pessoal e social.

Os estudantes precisam ser estimulados a se tornarem protagonistas da própria jornada, com o intuito não só de que descoberta do mundo, mas, principalmente, como um estímulo à intervenção nos seus aspectos políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais. Os jovens, desta forma, são motivados a transformarem a sociedade por ao identificarem e buscarem meios de atuarem e solucionarem problemas

A escola deve ajudar os alunos a se reconhecerem como sujeitos, considerando suas potencialidades e a relevância dos modos de participação e intervenção social na concretização de seu Projeto de Vida, ao experimentarem, de forma mediada e intencional, as interações com o outro e com o mundo, além de vislumbrarem oportunidades de crescimento para seu presente e futuro, valorizando a diversidade.

O Projeto de Vida na escola deve ser abordado em três dimensões diferentes, essenciais para o seu conhecimento e planejamento de futuro: pessoal, a partir do autoconhecimento; social, que envolve as relações interpessoais e profissional, que tem como foco o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias para atender às demandas do mercado de trabalho, como conhecimento teórico e prático sobre cada área de atuação, abordando, por exemplo, temas como as habilidades socioemocionais, criatividade, educação financeira, uso da tecnologia e empreendedorismo.

 

A BNCC do Ensino Médio define como obrigatória para os 3 anos os componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática. Além disso, a Base possibilita uma flexibilização do currículo a partir dos itinerários formativos previstos na legislação brasileira.

O Projeto de Vida é um componente curricular que ganhou relevância em virtude da grande lacuna entre o que é exigido dos jovens fora da escola e o que é ensinado nela. Os estudantes apontam que se sentem pouco preparados ao completar o ensino básico. Os educadores, por sua vez, denunciam a defasagem de aprendizado dos alunos em interpretação de texto, escrita, matemática e  raciocínio lógico. Os resultados do PISA demonstram as mesmas dificuldades.

O trabalho com Projeto de Vida é a grande oportunidade de toda escola de prover aos estudantes a conexão necessária entre o que estudam e o futuro que projetam.