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Resoluções e Liberdade

01 de janeiro, 2026 - por Max Franco

2026 já nasceu contrariando milhões de brasileiros e a mim, afinal a grande maioria de nós não acertou as dezenas da megasena. Isso já me fez mudar um bocado dos meus planos para o ano que se inicia. Por outro lado, tenho diversos projetos aos quais me dedicar e muito trabalho a fazer. Fiz resoluções de ano novo? Confesso que fiz poucas. Assim me decepciono menos quando terminar o ano. Todavia considero que precisamos de algumas para nos dar um norte, uma intencionalidade para a nossa vida, um mapa qualquer a ser seguido e nos confrontar. Afinal, todos precisam das próprias resoluções de ano novo para chamarmos de suas e para as esquecers, no máximo, até março. Mas tê-las é melhor do que não tê-las, porque barco sem plano de navegação, segue à deriva, sem rota nem destino predefinido.

-Mas itinerário determina destino, professor?

-Não, mas determina objetivo do destino. Nunca sabemos, de fato, se chegaremos ou não lá aonde desejamos. Ninguém controla o mar, nem as intempéries. Porém, podemos nos preparar da melhor forma possível e nos cercar dos recursos mais adequados que as nossas condições permitirem para essa jornada. Rota não garante chegada, mas falta de rota é que não garante coisa alguma e pode acarretar em naufrágios.

Pois acabemos com as metáforas náuticas e pensemos em 2026. Quais recursos podemos ter à mão para seguirmos ao encararmos esse ano tão repleto de interrogações?

Obviamente, primeiro, precisamos sobreviver dia após dia, pois cuidemos da saúde. Só podemos encarar os desafios de cada dia se estivermos vivos para isso. Saúde não garante tudo, mas a falta dela determina muita coisa. Cuidemo-nos, então.

Precisamos outrossim de grana para suprirmos nossas necessidades e realizarmos projetos. Portanto, trabalhemos. E sugiro que você trabalhe da melhor forma possível mesmo que o seu trabalho não seja tão reconhecido quanto deveria, mas nunca perca de vista a possibilidade de encontrar as condições mais adequadas para você exercer o seu ofício.

Precisamos, além de tudo ou antes de tudo, viver ao lado das pessoas que escolhemos e das pessoas que não escolhemos. Para cada uma dessas pessoas, há uma arte a ser descoberta e decisões a serem tomadas. Sabemos, aliás, que geralmente é mais difícil conviver com aquelas que escolhemos do que com as que não. Afinal, são estas relações que trazem mais expectativas. Pois, aprendamos.

Aprender, por sinal, talvez seja aquilo de que mais precisamos, e com urgência. Viver não é simples nem fácil. Viver, em todos os aspectos e em tudo que atuamos, pede sabedoria e, por isso, atenção, aprendizagens e estudos.

Caso tudo isso funcione, está garantido um ano bom ou anos vindouros bons? Não. Até porque, raramente, tudo funciona simultaneamente muito bem. Geralmente nos dedicamos mais a algo e deixamos de lado outras coisas importantes, mas a questão é que mesmo que tudo funcione, nada, nada nos protege da angústia de existir. O que fazer com essa sensação? Talvez agradecer porque  existe.

Para Sartre, nossas angústias existem porque não vimos ao mundo com um propósito embutido, ou seja, somos o que decidirmos ser. Somos, na verdade, “nada” e, por isso, somos impelidos a dar sentido e atribuir valor ao mundo. Somos uma “tela em branco”, que nos convida a preeenchê-la em busca de significados para a Vida, aceitando que somos livres para mudar, inclusive, os propósitos que fizemos para nós mesmos. Somos condenados à liberdade, portanto.

Pois espero fazer todos os propósitos para 2026 e para qualquer ano. Espero me dedicar a relizar estes projetos. E espero, mais ainda, ser livre o bastante para rasgá-los se isso fizer sentido. Para quem? Para mim. Porque sou livre e condenado à minha liberdade.