Metodologias ativas e estudos do meio

08 de fevereiro, 2019 - por Max Franco

O mundo mudou nesses últimos anos. Mudou tanto que não dá para reconhecer muita coisa. Atualmente, pagamos nossas contas de forma diferente, compramos de forma diferente, fazemos amizades de forma diferente, assistimos a filmes  e séries de forma diferente e tantas outras coisas que nem dá para citar. No entanto, por incrível que pareça, um dos últimos redutos de conservadorismo é justamente a Educação.

Infelizmente, não educamos de forma tão diferente assim.

Muitas escolas ainda insistem em aulas expositivas e intermináveis, em métodos que posicionam o aluno sempre numa situação passiva, mesmo sabendo que essas novas gerações pedem por participação, colaboração e protagonismo. É uma incoerência!

Entretanto, aqui e ali, é possível se enxergar iniciativas que propõem uma modernização das metodologias de ensino. Muitos países já realizaram essa reformulação (Finlândia, Portugal, Canadá, Coreia do Sul, Singapura, Suécia, entre outros) e, no Brasil, há também algumas escolas e universidades que estão ousando fazer diferente e colocar seus alunos numa posição mais ativa. Há experiências de sucesso registradas em todas as casas de Educação que conseguem aplicar metodologias ativas. Mas, para essa aplicação ocorrer com qualidade e profundidade, os educadores devem mudar o chip e o mindset. Em outras palavras, devem ser formados para essa transformação.

Uma das metodologias mais oportunas é a utilização de estudos do meio. E a razão para isso é simples: os alunos adoram!

E como não gostariam? Qual jovem ou criança não gosta de conhecer novos lugares, apreciar novas paisagens e, ainda, acompanhado dos seus amigos de escola?

No entanto, muitas escolas ainda não utilizam essa metodologia (talvez por medo de se arriscar ou por mera acomodação!). Outras escolas propõem viagens pedagógicas mas erram ao meramente reproduzir a aula expositiva em outro lugar. O conservadorismo apenas muda de endereço. É claro que a aula pode funcionar mais em outro ambiente. Há sempre o componente emocional que ajuda o engajamento dos alunos. Mas o envolvimento poderia ser muito mais eficiente caso a escola e seus educadores estabelecessem um projeto planejado de estudos do meio. Um projeto que, por exemplo, preveja uma maior participação do aluno, a qual pode ser feita a partir de pesquisas prévias, construção de sites, blogs e redes sociais específicas para aquela viagem, entrevistas com os nativos, games , caças ao tesouro, quiz e, oportunamente, uma exposição na escola das descobertas realizadas durante a viagem. As competências previstas na BNCC podem e devem ser desenvolvidas nas viagens pedagógicas da escola.

A maioria das escolas, no entanto, subestimam as suas viagens pedagógicas e – por isso – são geralmente apelidadas de “passeios”.

As escolas podem mudar essa denominação. Basta que haja compromisso, planejamento e uma boa parceria de agências de turismo que sejam especializadas em turismo pedagógico.

A comunidade educativa vai perceber a mudança de atitude da escola e, decerto, aplaudir a iniciativa.