Estudos do meio – Disciplina de pós-graduação

16 de fevereiro, 2019 - por Max Franco

Nos dias 15 e 16 de de fevereiro, no Instituto Brasileiro de Formação de Educadores de São Paulo, o Estudo do meio, pela primeira vez no mundo da Educação, virou disciplina de pós-graduação. Depois dessa experiência, diversas outras seguiram o exemplo.

Como se sabe, muitas escolas levam seus alunos em viagens pedagógicas para diversos destinos em todo o país e até para fora do Brasil. A pergunta que se suscita a partir disso é simples: os educadores sabem planejar, executar e avaliar os seus estudos de campo? Ainda mais, as escolas conseguem transformar as suas viagens – realmente – em atividades pedagógicas? Essas viagens estão aliadas às competências previstas pela BNCC? Os alunos se aprofundam nas áreas de conhecimento? Existe interdisciplinariedade? Os alunos tomam uma posição passiva durante a viagem ou assumem uma postura ativa e participativa durante a jornada? Os professores sabem aplicar metodologias ativas em uma viagem pedagógica? Como se faz para utilizar storytelling, PBL, gamificação, sala de aula invertida, tecnologias, entre outros métodos educacionais durante a viagem?

O que se observa no mercado educacional é que os educadores planejam e executam estudos do meio e viagens pedagógicas, ainda, de uma maneira bastante artesanal e sem a profundidade que a atividade possibilita e pede. Essa atitude tem nome e se chama desperdício! Desperdício de tempo, energia e, sem dúvidas, de dinheiro.

Dinheiro é sempre uma questão importante. Muitos pais não estão dispostos a investir uma soma considerável em uma viagem que não traga, de fato, os retornos esperados. Ninguém está desprezando a diversão, o entretenimento e o conhecimento de outros lugares e, em especial, de lugares atraentes turisticamente. Mas, quando essa jornada está ancorada em um robusto projeto educacional, é muito mais proveitoso para todos os atores envolvidos nesse processo.

Por tudo isso, é fundamental que as viagens pedagógicas propostas por uma escola sejam detalhadamente planejadas a partir de objetivos essencialmente educacionais. Todos precisam estar envolvidos nas metas propostas pela escola para que essa viagem ocorra com segurança, qualidade de serviços, amizade, diversão e muita aprendizagem.

Foi nesse afã, que o IBFE criou o curso de Metodologias ativas e, em especial, essa disciplina de Estudos do meio com o intuito de proporcionar aos educadores a possibilidade de realizar viagens pedagógicas de forma mais acurada e aprofundada.

A disciplina, inclusive, possibilitou aos alunos-educadores uma visita ao MASP. A peculiaridade dessa visita foi que não houve guia nesse estudo do meio. houve “guias”, porque todos os alunos – cada um por vez –  apresentaram o acervo para os demais. Uma aplicação moderna e participativa das metodologias ativas, na qual cada um foi protagonista do processo educacional.

Em dezembro de 2019, será a vez da turma de Fortaleza realizar um tour pelo centro da cidade. Cada aluno-professor, portanto, fará papel de aprendiz nesse city-tour. Isto é, de guia.

Guiar – por sinal – é uma prática antiga do ofício de professor.

 

 

Confiram alguns textos narrativos que foram construídos como exercícios durante as aulas:

 

 

O que lhe move?

Poderia ser quarta feira como outra qualquer, sete e meia da manhã, horário em que a mente dos alunos ainda dorme, não conseguindo acompanhar o corpo que está ali presente na sala de aula. Mas não, nessa quarta feira foi diferente. Os alunos estavam alvoroçados, muitos não tinham nem conseguido dormir na noite anterior, ansiosos com a viagem que sairia logo mais, às 8:30 da manhã.

Nosso destino era o Rio de Janeiro, mais especificamente, Angra dos Reis! Muitos dos alunos nunca tinham viajado de avião antes, foi um voo de curta duração, porém, de longas emoções.

Os alunos ficaram encantados com as paisagens, com as maravilhas feitas pelo Criador. Imersos numa atmosfera praiana, sol, mar, natureza, fauna e flora. Quantos aprendizados, quantas descobertas, quantos sorrisos. Bastaram alguns dias para que eles já conseguissem dizer se iria chover ou não, apenas observando o céu. Sabiam informar os horários das marés, classificar as espécies marinhas ou mesmo os diferentes pássaros que por ali cantavam.

No quinto dia de viagem fomos visitar as usina nucleares de angra 1 e 2. Eles ficaram impressionados! Saíram perguntando sobre tudo o que viam. Pra que essas paredes tão grossas? Como pode uma simples “pedrinha” produzir tanta energia? Por que temos que usar aquela roupa esquisita? Como fazem para evitar acidentes?  Para cada lado que eu me virava via os alunos partilhando suas descobertas e curiosidades.

Foi uma viagem daquelas dignas de propaganda de cartão de crédito…

Voo de ponte aérea…. R$120,00

Hospedagem …. R$600,00

Brilho nos olhos por cada conhecimento adquirido… ah… esse não tem preço.

Ana Carolina Correia Marcondes

 

Projeto Tamar – Praia do Forte
A nossa viagem pedagógica era para a Praia do Forte na Bahia para a
visitação do Projeto Tamar.
Fizemos um levantamento sobre a grandiosidade deste Projeto que há tanto
tempo salva estes répteis.
Este levantamento foi feito em grupos com pequenas apresentações feitas
pelos alunos sobre os diversos enfoques do Projeto Tamar.
Os alunos foram divididos em grupos com os seguintes temas:
– Criação do projeto Tamar
– Linha de atuação
– Profissionais envolvidos e suas responsabilidades.
– Números atuais de tartarugas (animais) salvas ou reinseridas.
– O caráter filantrópico do Projeto Tamar.
As apresentações foram feitas e todos os alunos se empenharam bastante.
Antes da partida, cada grupo fez o cruzamento entre seu levantamento e a
informação “in loco”, para isso teriam que entrevistar, levantar dados,
fotografar, aprofundar a pesquisa.
A pesquisa no Projeto Tamar, deveria obrigatoriamente trazer mais
informações como, por exemplo, fotos, camisetas, depoimentos gravados,
vídeos, coletas permitidas, entre outras.
Na noite após a visita ao Projeto Tamar, nos reunimos para que os grupos
contassem um pouco da experiência lá vivida e que, sobretudo, dissessem aos
outros grupos se as informações levantadas em SP eram verdadeiras.
Para finalizar cada grupo seria responsável pela elaboração de uma síntese do
trabalho (pré e pós) para que esta ficasse exposta num painel e para que todos
os grupos conhecessem, de maneira sistemática, o trabalho de todos. Eu
chamaria de goleada educacional.

Marcelo Crivelari