Escola, para onde vai, com quem, de que forma e para quê?

01 de fevereiro, 2019 - por Max Franco

A cada dia que passa, mais e mais escolas aderem à metodologia do estudo do meio para explorar os conhecimentos estudados em sala de aula. Estas escolas estão descobrindo a eficiência e o alcance das aulas de campo em prover aos alunos e educadores experiências significativas no campo pedagógico. No entanto, os educadores precisam ainda descobrir como planejar as suas viagens de estudo de maneira a explorar todas as potencialidades possíveis que estas oferecem.

A primeira pergunta de qualquer viagem é sempre “para onde”. O ideal é que este “onde” seja escolhido a partir do currículo de cada série e adequado às condições financeiras da comunidade escolar. Se a turma está estudando Barroco, Inconfidência mineira e arcadismo, o ideal seria conhecer as cidades históricas de Minas Gerais, mas se a distância e o orçamento forem impeditivos, é possível planejar uma viagem para um destino mais próximo e acessível. Entretanto, com pouco de organização prévia e um projeto bem elaborado, existem escolas que podem aderir a iniciativas mais exigentes. Tudo é uma questão de adequação.

A questão “com quem”, é essencial para qualquer projeto de viagem educacional e eu insisto: escola é escola e agência de turismo é agência de turismo. Não dá para escola querer agir como agência nem o contrário. Cada um tem o seu papel a fazer e sabe fazê-lo. Há excelentes agências especializadas em turismo pedagógico. O importante é estabelecer as melhores parcerias.

Para tratar do “como”, precisamos adentrar no território do pedagógico. Há metodologias que estão muito em voga atualmente que podem servir bastante à causa da Educação itinerante. Basta que os educadores conheçam com profundidade essas metodologias e saibam aplica-las também nas viagens. Metodologias como a sala de aula invertida, PBL, storytelling, gamificação, dramatização e muitas outras podem e devem fazer parte de qualquer viagem pedagógica. A escola precisará, porém, proporcionar panejar de forma acurada as suas atividades.

Os alunos, por exemplo, podem receber antes da viagem um material em alguma plataforma digital que utilize e serem acompanhados nessas atividades prévias a fim de gerar um interesse genuíno pela viagem por meio de pesquisas, trabalhos em grupos, saraus literários, jogos e o que mais a criatividade dos educadores envolvidos possa propor. E que tal uma caça ao tesouro ou uma contação de histórias ao redor da fogueira? Que tal também explorar atividades como games, entrevistas ou peças de teatro realizadas pelos próprios alunos durante a viagem? Os alunos podem, também, criar um instagram específico da viagem que pode ser alimentado de imagens e informações meses antes da jornada. Possibilidades não faltam. O que é preciso é planejar com criatividade e colocar o aluno no seu papel. Isto é, como protagonista.

Quando observamos todas as potencialidades de uma viagem pedagógica, é fácil descobrir o “para quê”.  A finalidade é simples: a escola deve viajar para que os alunos possam crescer por meio dessa interação com o mundo. Viaja-se para aprender. Viaja-se para conhecer o mundo e para motivar os estudantes a transformá-lo para melhor. Viaja-se para se tornar cidadão e cidadão do mundo. Viaja-se para aumentar o repertório cultural, artístico e emocional dos alunos e, por consequência, aprender a conviver de forma positiva com as diferenças estimulando o respeito às diversidades tão presentes nas comunidades. Enfim, viaja-se para se tornar uma pessoa melhor.