Storytelling no mundo dos negócios

27 de março, 2017 - por Max Franco

Contar histórias para encantar públicos: Max Franco revela como o storytelling pode impactar os negócios
Publicado em 31 de agosto de 2016 por Redação Comuninter
A contação de histórias é um método antigo de persuasão, capaz de expor valores e posicionamentos, com forte apelo emocional, que consegue atrair e conectar públicos com marcas e organizações. Como estratégia para conseguir a atenção dos colaboradores e clientes, surge o storytelling, recurso que utiliza as técnicas narrativas para fins mercadológicos.

Com o olhar voltado a essa prática, que vem ganhando cada vez mais importância na comunicação, o Fórum do Comuninter 2016 conta, em sua programação, com o minicurso “Storytelling e suas aplicações no mundo dos negócios”, ministrado por Max Franco. Max é formado em Letras, pós-graduado em História da Cultura e em Inovação em Educação e atua como professor convidado da USP (Universidade de São Paulo), professor de Storytelling do IBFE (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores) e da Inova Business School e também como Consultor Sênior da Inova Consulting, consultoria de tendências e gestão da inovação.
Para adiantar um pouco do que será visto na oficina, confira a entrevista que fizemos com Max.

A contação de histórias é uma das atividades mais antigas encontradas. Uma prática comum na literatura, teatro e até mesmo adotada pelos nossos avós, com a ideia de narrar casos populares, resgatar tradições e compartilhar memórias entre gerações. Desde então, o que mudou ao ser adotada pelo mercado?

O ser humano adora contar e ouvir histórias há tanto tempo que nem se sabe. Sabemos, porém, que a Ilíada e a Odisseia datam de muitos séculos antes de Cristo. É, sem dúvidas, uma prática ancestral. Todos ainda amam histórias e não há sinais de que deixaremos de amar. O mercado precisa da atenção das pessoas. Esta é a maior disputa de todas: a sua atenção. Porque há demandas demais, reclames demais. Como fazer para conquistar o seu tempo e o seu foco? Simples: conte uma boa história. Uma história emocional, repleta de verdades humanas e, aí, você terá toda a atenção das pessoas.

Para quais finalidades o storytelling vem sendo adotado pelas organizações em práticas comunicativas? Como o profissional que gostaria de se especializar neste campo pode se preparar?
O storytelling é usado para envolver clientes e engajar colaboradores. Toda marca deve saber contar a sua história para que a relação emocional com ela cresça entre todos os envolvidos com ela, seja o profissional que a produz ou a promove, seja o cliente que a consome, o qual é, sem dúvidas, o seu maior divulgador.
Há poucas escolas no Brasil que trabalham com profundidade com storytelling. Sugiro que busquem essas escolas e, principalmente, leiam as produções sobre o tema. Entre estes, há o “Storytelling e suas aplicações no mundo dos negócios”. Ouvi falar que é excelente.

O storytelling apresenta grande potencial para as empresas se posicionarem e humanizarem o processo comunicativo, o que resulta em engajamento da audiência. Contudo, também vemos campanhas que geraram polêmica ao adotarem estratégias ficcionais, criando uma nova identidade para a marca (como exemplo, as campanhas das empresas Diletto e Do Bem que foram investigadas pelo Conar, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, no final de 2014). Você acredita que exista um limite criativo e ético na prática do storytelling?
Claro que há. Uma coisa é ficção, outra coisa é mentir. A marca pode dizer que seu produto vem de nave espacial de Júpiter, desde que isso seja ficcional e não uma fraude. O problema é quando se deseja essa ligação emocional apelando para qualquer expediente. O storytelling não é bom ou mau. É como uma faca que serve para passar manteiga no pão, mas também serve para ferir. As parábolas de Jesus são storytelling. Mas o nazismo também fez uso dessa ferramenta. A política, as igrejas, o mercado estão sempre se utilizando de storytelling. Todos com as suas intenções. Nem sempre são as melhores.

Espaço lúdico complementa a experiência do minicurso

Para aguçar ainda mais a nossa criatividade, nada melhor que um ambiente que tem a arte como meio e fim. O Espaço de Artes Lígia Aydar, que sediará o curso durante o Fórum do Comuninter 2016, é a mistura de uma companhia de teatro e escola de artes, onde interessados de todas as idades podem encontrar cursos de dança, circo, teatro e canto. O local conta com espaços decorados com diferentes referências teatrais que logo nos transportam para o universo lúdico, como as peças Cats, O Mágico de Oz, O Rei Leão, O Fantasma da Ópera, Alice no País das Maravilhas e O Pequeno Príncipe.

Informações gerais:

O minicurso “Storytelling e suas aplicações no mundo dos negócios” foi realizado no dia 20 de outubro, às 14 horas, no Espaço de Artes Lígia Aydar, localizado no Shopping Iguatemi em São José do Rio Preto.