Storytelling na Educação – Tutorial

26 de janeiro, 2018 - por Max Franco

Nas oficinas e palestras que realizo, muitos colegas professores me perguntam como podem fazer uso do storytelling no seu dia-a-dia em sala de aula.

Aqui, compartilho algumas práticas e abordagens que já foram testadas em diversas oportunidades e em várias escolas do país:

 

  • Dica 1: caso você trabalhe com redação, literatura, língua portuguesa ou ensino de idiomas, umas das formas mais atraentes de trabalhar com storytelling é fazer uso da predição. Há várias maneiras de utilizar a predição. Um exemplo é começar a leitura de um texto qualquer, pode até ser uma crônica do Rubem Braga, Drummond, Fernando Sabino… não importa a autoria, desde que seja um texto atraente. A técnica é simples. Faça uma pausa antes do fim do texto e peça para que os alunos o terminem como cada um desejaria fazê-lo. No fim da dinâmica, revele o fim original, o do autor. A sugestão é abrir com uma frase sugestiva: “ Quando desci do ônibus, era já madrugada. A rua estava vazia. Caminhei depressa para casa. Só mais dois quarteirões e pronto. Estaria na minha cama. Não esperava, porém, que na esquina…” e pedir para que cada aluno, um depois do outro, dê sequência à história. Essa é uma excelente técnica para demonstrar as etapas de uma história (introdução, desenvolvimento e conclusão) e para estimular a criatividade do grupo.
  • Dica 2: Que tal, quando for usar situação-problema, repensar aqueles textos infames “Pedrinho tinha três melancias e comprou mais quatro…”, afinal, para que Pedrinho iria desejar mais quatro melancias se ele já tinha três? Pedrinho teria alguma espécie de idolatria por melancias? Não é mais adequado construir um texto crível e, quem sabe, pouco mais criativo ou empático? Pedrinho poderia ser comerciante de frutas? Pedrinho poderia estar angariando frutas para um orfanato? Veja bem, não estou pedindo Machado de Assis. Mas, sei que você pode fazer melhor do que o óbvio. Ajude o seu aluno a gostar do texto. Ajude o Pedrinho também!
  • Dica 3: Você que é coordenador de alunos ou orientador, em vez de sempre se valer daqueles discursos intermináveis (e chatos) que trazem como pauta assuntos como disciplina, normas, manuais de conduta, motivação e organização para os estudos,  todas estas questãos que tanto os alunos quanto você não suportam mais abordar, que tal trabalhar com storytelling? O que você acha de substituir o papo doutrinário, chantagista e coercivo por uma história bem contada? Você pode fazer uso de toda a vasta literatura que existe, pode criar histórias e também pode veicular filmes e vídeos que façam alusão ao tema que você deseja trazer à luz. Quer exemplos? Você que deseja tratar de bullying, dê uma olhada neste vídeo do youtube (youtube.com/watch?v=fSfsUw_6sko). O problema na sua escola é  motivação para os estudos? Os seus alunos não sabem lidar com próprias falhas?  Sugiro  conferir este (www.youtube.com/watch?v=2GJxq9kjz1M). O meu amigo, Professor Marcelo Pavani, coordenador de cursos preparatórios para ENEM e vestibulares,  também costuma realizar sessões de cinema com seus alunos. São sessões disputadas porque há sempre debates participativos e, claro, um considerável efeito motivacional. Um dos filmes que costuma exercer grande  impacto sobre os alunos foi “Whiplash – Em busca da perfeição”, uma produção que venceu o Sundace e concorreu ao oscar de melhor filme de 2014.  Sugiro que assista a estas produções ( e outras da sua escolha)  com seus alunos e suscite um bom debate. Certamente o resultado será muito bom.