Eduardo e Mônica – o storytelling em dobro

03 de abril, 2016 - por Max Franco

A campanha da Vivo usando a música do Legião “Eduardo e Mônica” é um exemplo de uso eficiente e criativo do Storytelling na Propaganda. Maravilhoso!

Observem que Renato Russo conhecia bem a obra do Campbell. Ele também utiliza a estrutura do Monomito, ou jornada do herói, no seu famoso “Faroeste caboclo”.

Renato era um leitor voraz, fato que, decerto, contribuiu bastante para o crescimento do seu repertório e para os conteúdos de suas letras de música. É bem possível que Campbell (O Herói de mil faces) tenha feito parte das suas leituras.

Nessa campanha da Vivo de 2011, concebida pela agência África, produzida pela 02 filmes e dirigida por  Nando Olival, o filme de 4 minutos é o clipe – que nunca existiu – para a música, contando a jornada do casal mais famoso da música brasileira.

Quando surgiram as primeiras imagens da produção da propaganda do Kiwd Outsider, começaram a surgir boatos de que estavam produzindo um filme sobre a Caverna do Dragão. Esses boatos ocorreram também em 2011 quando começaram a veicular na internet fotos de um possível casal que se tornou célebre na música brasileira. Na época, existiam boatos de que estavam filmando um longa-metragem baseado no clássico “Eduardo & Mônica” do Legião Urbana, música que completou 25 anos em 2011.

A produção era a campanha da Vivo para o Dia dos Namorados, celebrando “a história de amor mais cantada do Brasil”.

Para quem cresceu ouvindo Legião Urbana, é difícil não se emocionar com a produção.

No entanto, nem todos percebem que há duas histórias que ocorrem concomitantemente neste filme. Há a história da música na qual a conexão fundamental entre o improvável casal é o amor que os unia mesmo com tantas diferenças e há a história do filme. Nessa história, a conexão entre o casal era literalmente a conexão. O motivo é óbvio: não dá para se empacotar, vender e escalar o amor, mas dá para se empacotar, vender e escalar a conexão. Por isso, como se observe facilmente na campanha, os instrumentos tecnológicos são onipresentes.

Como “storytelling” é uma narrativa que é utilizada para se veicular uma mensagem, uma lição moralizante, uma venda de serviços ou produtos, um ensinamento ou uma doutrina religiosa. É – portanto – uma aplicação muito não só atual, mas também muito bem feita da metodologia de storytelling.

 

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