Bajulação, quem nunca?

26 de maio, 2016 - por Max Franco

Sabe quem é a pessoa mais engraçada e espirituosa do mundo?

Sabe quem entende de tudo, sabe de tudo, e detém sabedoria universal?

Sabe quem é o mestre da iniciativa, da gestão e da liderança?

É simples. Chama-se Chefe.

Chefe, mesmo o odiado, é o mais amado, elogiado, enaltecido que existe.

Todos amam o Chefe, mesmo aqueles que o odeiam de paixão.

Você, caro leitor, deve estar se opondo às minhas provocações. Decerto…

Decerto, jamais riu de uma piada sem graça do Chefe, nunca o elogiou gratuitamente, nem sequer por um momento escorregou numa adulaçãozinha oportuna. Você é um cara sóbrio.

Eu, preciso confessar (com certa vergonha) que já fiz tudo isso. Mas, não me diria um bajulador. Numa escala adulativa de zero a dez, me conceituaria um puxa-saco nível 2. Quem sabe, nos dias ruins, nível 3.

Já estive, também, do outro lado: o do Chefe. E lhe digo: mesmo odiando puxasaquismo, palavras elogiosas adoçam o ouvido. De fato, traz certa satisfação se sentir adulado. O problema ocorre quando estes índices bajulativos se excedem. Quando o Chefe prefere a adulação à meritocracia. Quando elege o adulador e pretere o competente silencioso, ou mesmo, crítico.

Todo mundo conhece o Bajulador Profissional, a quem vou apelidar de BP. O BP tem a palavra fácil pingando da boca, a máquina de elogiar voltada para cima, enquanto a de denegrir apontada para baixo. BPs não tem amigos nos degraus abaixo, nem entre os seus pares. Bps esticam o pescoço e se emprumam na busca de ser visto de cima pelos de cima e por cima, pelos de baixo. Bps escolhem uma ou outra criticazinha inocente para fazerem em público, porque BP que é BP de carteirinha não quer dar bandeira de BP. Ele, inclusive, afirma “Eu não bajulo. Eu digo a verdade.”

Você se lembrou de alguém? Eu conheci alguns. Tive esse azar. (não há como evitá-los, há?) Todos pestilentos. A maioria, gente sem expressão própria, insegura, ressentida, de autoestima baixa, invejosa, intriguista, pegajosa, rancorosa e vingativa. Uma coisa é fato, quem realmente tem habilidades técnicas e competências relacionais não recorre à ferramenta da adulação, principalmente, porque o bajulador é, antes de tudo e incrustado no se DNA, um covarde, um medroso essencial.

A meu ver, BP é igual a aedes aegypti. Por mais que você os queira evitar, vai sempre sobrar – ao menos um – para você. E a sua ação é sempre nociva. Se você for competente, mais ainda. Porque, logicamente, você se tornará seu rival. Você subtrairá a sua luz. E aduladores são vampiros viciados em luz. Uma modalidade nova de nosferatu.

E qual a bala de prata ou a estaca para o coração deste monstro corporativo? Eu só consigo ver dois antídotos para esta peçonha: chefes mais preparados, que se busquem o tempo inteiro ações meritosas dentro da empresa, e, sem dúvidas, o tempo. O tempo é o maior juiz. Sempre ele. O tempo age como a gravidade, ele puxa para baixo o que tende a cair. Máscaras não se sustentam para sempre e, mais cedo ou mais tarde, desabam por terra.

Você, meu amigo, que tem posto de gestão, fique atento aos BPs que estão na sua equipe. Na verdade, no seu lugar, eu os demitiria amanhã. Coloque em seus lugares gente talentosa e corajosa que avise quando você erra. Este profissional, sim, merece luz e palco.

Se você não é Chefe e convive com BPs a toda hora, lhe tenho só um conselho: dentes de alho.

Ou torça pelo Tempo. Que o Tempo ocorra a tempo.