A república das narrativas

23 de agosto, 2019 - por Max Franco

Não houve nenhuma época da história em que o Storytelling tivesse uma atuação tão poderosa e decisória quanto a atual.

Afinal, jamais houve tal disseminação, quase instantânea, de narrativas quanto nos dias atuais. São relatos reais, incorretos e, ainda, as tão famosas e presentes fake news. Tudo misturado de tal forma que entender o que, de fato, é consistente  fica praticamente impossível.
Basta acompanharmos minimamente essa polêmica relativa às queimadas na Amazônia para entendermos o papel das narrativas na atualidade.
Só hoje, em diversas redes sociais – ao mesmo tempo – tivemos acesso a dados da NASA, do INPE, do Ibope, do Bope, do Ibama, do Obama, da Wikipédia, da Barsa, da Bolsa, do Le Monde, do la Bamba, da Alemanha, da França, do diabo e de deus sobre os índices de desmatamento na Amazônia.
O mais digno de nota é que há tantas informações desinformadas e recheadas com mensagens antagônicas que eu não sei se choro ou comemoro.
É tanta informação que, oficialmente, eu declaro que não sei o que sei. Os dados são manipulados, esticados, maquiados, encaixotados, amarrados, de tal forma que ninguém mais sabe o que é balela ou verdade absoluta. Sabe-se apenas que –  com certeza – há sempre o empacotamento do célebre “viés ideológico”!
O mais interessante (para não dizer desesperador) é que cada um dos lados (porque o Brasil virou uma rinha que torce para galos diferentes) se arma das munições que tem (ou acha que tem) para desbancar os argumentos dos infiéis. Isto é: do lado obscuro da força. 


E a arma dessa eterna arenga qual é?
Exatamente: a narrativa.

Vivemos o reino do storytelling. Na verdade, a republica das versões.

Um lugar onde todos contam as histórias que bem desejam.

Mas quem terá a história verdadeira?

E enquanto debatemos, a Amazônia queima.
Ou não.