Se as pessoas fossem palavras

05 de setembro, 2016 - por Max Franco

Se as pessoas fossem palavras.
Quanto erro ortográfico caminharia por aí comprometendo o texto.
Se as pessoas fossem palavras, não usaríamos psicólogos, mas dicionários.
– Ontem, pai, saí para me divertir com meus sinônimos, até que o idiota do Antônimo Pereira da Silva apareceu para estragar tudo!
– Tudo é sempre uma questão de semântica, filho! Já lhe disse!
Assim seria, se as pessoas fossem palavras.
Porque, há sempre das boas, mas também das piores. Há palavra que devia ter nascido muda.
Porque, nesse mundo, e também no nosso de pessoas-pessoas, há palavra chula demais, palavra ordinária que pinga das bocas e escorre dos dedos com facilidade corriqueira.
Nesse mundo das pessoas-palavras, tudo tem sempre mais a ver com a morfologia do que com a sintaxe.
Muita preocupação com adjetivações. Pouca, com predicados.
Muito cuidado com a forma. Quase nenhuma com a função.
Palavra boa tem caráter.
Palavra boa exerce seu papel.
Palavra boa tem sílaba e fonema.
Palavra boa escoa da boca certa.
– Maus substantivos nunca provocam bons sujeitos.