O presente da Educação – Tendências que deixaram de ser tendências e se tornaram realidade

06 de março, 2017 - por Max Franco

 

Tenho quase 30 anos trabalhando em Educação e, durante todo este tempo, ouvi aquela historinha infame, que já virou clichê de tão repetida, que o único profissional que não estranharia o seu ambiente de trabalho, caso estivesse congelado nos últimos 200 anos e retornasse agora, seria o professor.

Isto é uma grande balela!

Há 200 anos mal existiam escolas.

Existiam salas aparelhadas com os recursos que muitas escolas possuem hoje? Existiam profissionais com a preparação e com a atuação atualmente? Existiam aulas de artes, esportes, educação financeira? Psicólogos e Orientadores escolares? São tantas mudanças que nem dá para enumerar sem se esquecer de alguma.

É fato que houve áreas onde estas mudanças de prática e de tecnologia são extremamente evidentes, porém, na Educação, não é tão diferente assim, ainda mais nestes últimos anos. O futuro virou presente e não estou tão seguro assim de que as escolas que, rapidamente, não se atualizarem vão ter grande sobrevida.

Entretanto, esta evolução não veio igualmente para todas. Fato que pode decretar a perenidade de muitas escolas. Portanto, pretendo aqui elencar algumas iniciativas, as quais, caso ignoradas, podem decretar o desaparecimento de alguns estabelecimentos de Educação que oferecem seus serviços atualmente no mercado.

São dez passos estratégicos que cada escola deve, caso ainda não tenha feito, implantar:

  1. Formação humana: a escola não deve trabalhar apenas “conteúdos” programáticos voltados para vestibulares e para o ENEM, mas também, deve ajudar a família no ensino de valores. O mundo não precisa apenas de bons técnicos. Precisa – e muito – de gente com caráter ético. A escola deve se deter na formação de mentalidades e atitudes, de competências e habilidades comportamentais. A Escola realiza trabalhos voluntários com seus alunos? Há atividades sociais? Se a Educação não for comprometida com a construção de um mundo mais justo e igualitário, quem mais deveria ser?
  2. Ensino híbrido: o aprendizado não deve ocorrer apenas em sala de aula, mas sempre, em todo lugar. A aprendizagem no século XXI não pode prescindir do móbile. Toda escola, portanto, deverá ser uma produtora de conteúdo à distância. Por que não continuar a aula com um vídeo ou um áudio? Por que não pedir tarefas ou realizar avaliações utilizando estes recursos modernos? Cada instituição deve, então, encontrar a plataforma que melhor se adapte às suas necessidades e preparar os seus profissionais para esta verdadeira revolução no ato de ensinar. Eu, por exemplo, já disponibilizei um curso de Storytelling no canvas (inovabs.com.br) e estou muito  satisfeito com o resultado.
  3. A Escola bilíngüe: Acho que a tendência até demorou para se popularizar, afinal, desde pequeno que todo mundo escuta que “o inglês de escola” não serve para nada. Pois chegou a hora de servir para tudo, ou, ao menos, para aprender não só inglês mas também outras disciplinas. O bilinguismo veio para ficar. Se a sua escola ainda não entrou nesta, corra. Isto é: run!
  4. Formação continuada: como diz Edgar Morin, “devemos educar os educadores”. Escola que não forma perenemente os seus colaboradores está fadada a ser inferiormente conceituada  no mercado. O professor deveria ser o profissional que mais se atualiza, afinal, o seu “instrumento de trabalho” é a informação.
  5. Neurociência: Depois das extraordinárias descobertas dos últimos anos no campo da neurociência, a sua aplicabilidade não é só importante, mas urgente. Não dá mais para ficar por fora de todos os mecanismos que esta área pode trazer de contribuição para o mundo da Educação.
  6. O curador de conteúdos, o criativo, o comunicador: professor não é mais o detentor do saber. O Google é acessível para todos. Alunos podem aprender mais com youtubers e blogueiros  do que com o professor em sala de aula. Cabe ao profissional, então, selecionar o que deve ser veiculado aos seus aprendizes e escolher a melhor forma de explorá-lo. A concorrência nunca foi tão grande.  O professor deve se valer de muita criatividade e de uma oratória impecável.
  7. A sala de aula moderna: estive em 2014 na Finlândia e conheci muita coisa do seu sistema de ensino que é um dos primeiros elencados no mundo. A colocação anual no PISA da Finlândia, geralmente, fica entre os 3 primeiros lugares. É invejável. Mas como é a sua sala de aula? Super aparelhamento? Lousas digitais, 3D? Laboratórios ultramodernos? Nada disso. A estratégia foi e é outra. Começa com uma mudança enorme centrada no professor. São professores bem pagos, muito bem preparados e comprometidos com a formação integral dos alunos. As ferramentas são dispensáveis? Jamais. Mas o principal está sempre na relação professor–aprendiz. Uma das atitudes que marca pela sua simplicidade é a disposição dos estudantes em classe. Cada modalidade de aula deve definir um posicionamento diferente do alunato.
  8. O tempo de aula: Acredito que a aula de 50 minutos está moribunda. Estudos e mais estudos comprovam que o limiar de foco que um ser humano consegue manter num discurso, atualmente, gira em torno dos 15 minutos. A aula expositiva, aquela do eterno e ininterrupto blá-blá-blá do professor, já caiu da árvore de tão vencida. O professor deve planejar, cada vez mais, uma aula interativa, participativa, envolvente, emocional… Para isto, não falta recurso: debates, fóruns, seminários, jogos, competições, desafios, aula de campo, storytelling, viagens pedagógicas, não importa a tecnologia, desde que engaje. A chave está em conhecer modelos educacionais e planejar bastante.
  9. Inclusão: Não é somente uma questão legal, mas, principalmente, uma questão de humanidade. A escola que não estiver preparada para trabalhar com a Inclusão e para atender às necessidades atuais das famílias não poderá ser chamada de uma “Casa de Educação”. Não é o aluno sem dificuldades que precisa de mais atenção.
  10. Inovação: Por fim, última dica, mas nem por isso, a menos importante. A Escola, neste ponto, deve imitar as grandes corporações e manter um olhar voltado para o futuro. O ideal é que existam grupos e momentos formais destinados a pensar em tendências, em potenciais problemas e nas respectivas soluções. A Escola deve aprender a se antecipar. Tradição é importante no mundo da Educação. Mas estamos habituados, atualmente, a ver escolas tradicionais simplesmente sumirem do mercado. Por quê? Porque não se adaptaram. A vida é um veículo que não espera por ninguém. É importante se olhar para o retrovisor, é claro. Mas, não deixe de olhar à frente. Bem à frente.