Como funciona “o chamado” na Jornada do Aprendiz

03 de janeiro, 2018 - por Max Franco

O estudante, a rigor, acostumado ao seu mundo comum, é convidado a ingressar no mundo especial que, neste caso, é uma viagem de aprendizagem. Coisa que ele costuma evitar, seja por preguiça, seja por insegurança. Todavia, ele é impelido a participar. Na Jornada do herói de Campbell, há esta etapa fundamental que ele batizou de “o chamado à aventura”.

Neste momento de aumento da consciência de mundo, temos um sujeito numa zona de conforto qualquer, que é o “mundo comum”. Não obrigatoriamente a zona de conforto é confortável. A questão é que o nosso protagonista bem ou mal está assentado neste lugar árido de histórias. Afinal, não há histórias na zona de conforto. Para que existam histórias precisamos de dois elementos essenciais: personagens e problemas. O personagem, entretanto, só tem sentido de existir se for desafiado. Quanto maior o problema, mais o protagonista é testado, e maior será o seu valor. Não tem a ver apenas com o caráter do personagem, mas, principalmente, com a sua capacidade de lidar com a adversidade e de superá-la.

Claramente o processo de elaboração e de superação de uma adversidade é um rito de passagem, um fenômeno comum em muitas culturas. Eles existem há muito tempo e são importantes na passagem da adolescência para a idade adulta no sentido de promover uma fronteira psicológica entre as fases e, portanto, o desenvolvimento de uma mentalidade mais madura.

Mas qual é dificuldade que se apresenta ao aprendiz?

É uma besta silenciosa de chifres sinuosos, mas não menos perigosa: a ignorância.

Porém, há algo peculiar neste selvagem discreto que é o desconhecimento. Ele como a diabetes. Chega silente, sem fazer alardes, mas quando você menos imagina, ele lhe abocanha algum membro sem piedade. Diariamente, ele lhe morde um bocado, lhe causa sinistros e impede que você se mova para frente. Mais do que qualquer perda, a ignorância lhe arranca o futuro. E causa sofrimento? Decerto. Mas, não é uma dor aleatória. Ela ocorre com a consciência da ignorância. É o sujeito que só se dá conta das enfermidades quando avalia os seus exames. Afinal, só se sabe feio quem tem espelho e só se sabe baixo aquele que conhece o alto. A ignorância só dói quando você se sabe ignorante e, mais ainda, quando tem que competir com o mais esclarecido.

Como podemos alterar a condição de consciência do nosso herói-aprendiz se, muitas vezes, ele não quer encarar a aventura?

É neste momento que entra em cena uma figura fundamental.

Quem?

– O mentor!

Mas, esta é outra história.

(Fragmento do “Storytelling e suas aplicações ao mundo da Educação)