Storytelling, o que é?

29 de junho, 2019 - por Max Franco

Depois de muito teimar, cismar, ler mil definições, cismar e teimar mais ainda, acredito que cheguei ao melhor e mais conciso conceito sobre o que é storytelling:

– Storytelling é uma história contada com alguma intenção de convencer!

– Podemos dizer que não há algum discurso sem intencionalidade. Fala-se sempre para algo e por algum motivo. Falar de storytelling é, portanto, falar de intencionalidades, quase sempre veladas. Essa é uma discussão interessante a ser encarada. Storytelling e contar histórias são coisas diferentes apesar da tradução literal?

A resposta é simples: são.

O uso da metodologia serve justamente para proporcionar a “entrega” de algo por meio de uma história. Uma venda, um ensinamento, o alinhamento de uma equipe, a promoção de algum valor, com o storytelling, a história é usada como uma estrada para que ocorra algum trânsito. A narrativa que segue uma abordagem de storytelling funcionaria como um “kinder ovo”, na qual sempre está inserido algo, uma mensagem persuasiva, a promoção de um valor, de um serviço ou produto, de um candidato, de uma religião, de alguma adesão a ser feita. No simples ato de “contar uma história”, a história pode ser pela história, como ocorre na Literatura clássica. A história, nesse caso, tem valor pela própria história, pela forma com a qual é contada, pela estética proposta, pela fruição e pelo prazer da leitura que esta propõe. Machado de Assis, Rubem Braga, Drummond e outros autores que fazem parte do cânone literário não produzem, a rigor, storytelling, já que não desejam oferecer outra coisa senão a literatura pela literatura, pelo prazer que ela pode possa proporcionar.

E no caso da História, aquela com “H maiúscula”?  Essa é uma discussão fascinante. George Orwell (1943)  diz que “A história é escrita pelos vencedores”. Afinal, geralmente é versão desses vencedores que tendem a permanecer nos livros de história. Portanto, é também possível perceber o relato histórico como uma interpretação dos fatos concebida e divulgada por alguém que tinha lá também suas razões para redigir a própria ideia daquela história. A história também é escrita para denotar algo e de forma parcial. História oficial também pode ser uma expressão de storytelling. Nesse caso, poderíamos enxergar que, talvez, a única história “verdadeira” estaria na Literatura, isto é, na ficção. Como afirma Ernest Hemingway (1954), “Todos os bons livros se parecem: são mais reais do que se tivessem acontecido de verdade.”

– Poderíamos afirmar que existiria mais verdade em um livro de ficção, como um romance, como no “Por quem dobram os sinos” (1940), do escritor americano Ernest Hemingway , do que em um livro de história? Como assim? Há uma verdade em “Por quem dobram os sinos” e em outros livros de Literatura que são praticamente inquestionáveis, porque há uma verdade humana. Uma verdade sobre a alma e a prática dos homens e mulheres dos nossos tempos e de outros tempos. Já, livros de história podem trazer versões e interpretações de fatos à luz de alguma ideologia ou crença. Livros, por exemplo, escritos por alguém que deseje enaltecer o comunismo geralmente trazem uma visão reducionista e tendenciosa contra os EUA e o capitalismo. O contrário também ocorre corriqueiramente.

Alguém pode se perguntar, depois dessas concepções se valeria a pena acreditar nas informações que existem nos livros de história.

– Há uma técnica tão antiga quanto eficiente.  Para se ter uma ideia do que, realmente, se deu na história requer sempre cruzar informações e buscar outras fontes para formar uma opinião sobre algum relato. Na verdade, o ideal seria que agíssemos assim sobre tudo. Ainda mais nesse tempo de fake News.

Fake News, portanto, são modalidades de storytelling?

– Claro que são. São narrativas tendenciosas, destrutivas e intencionais. As Fake News são uma aplicação negativa de storytelling, uma corrupção da técnica, sem qualquer ética. As fake News estão para o storytelling o que o veneno está para o remédio