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A hora da Trilha de aprendizagem

14 de abril, 2020 - por Max Franco

A Educação vive em crise não é de hoje. Só que, nesses tempos de pandemia, vivemos uma crise dentro da crise. É a crise ao dobro, ou ao cubo, dependendo da ótica pela qual se enxerga.

Como fazer Educação atualmente sem a possibilidade do presencial?  Essa é a questão!

Há quem tenha antecipado as férias. Há quem esteja experimentando aulas remotas. Há escolas que estão enviando tarefas para casa. Em suma, há uma desorganização geral, até pela falta de um norteamento institucional (des)capitaneado pelo MEC.

Observa-se, portanto, que a crise demonstrou inúmeras debilidades em diversas áreas da nossa sociedade atual e, em especial, na Educação. Tanto que, de maneira geral, os gestores e educadores têm batido cabeça sem saber exatamente o que fazer agora. O momento atual de isolamento social pede que o ensino hoje, ou não ocorra, o que seria uma lástima, ou ocorra de forma remota. Mas, os professores estão preparados para construir esses conteúdos? Eles sabem lidar com as tecnologias? Entendem como aplicar as metodologias?

Não é nada simples, porém, muitos profissionais, em vez de apenas se dedicarem ao catálogo do Netflix, estão aumentando o próprio repertório e se aperfeiçoando como profissionais.  Uma das abordagens mais comentadas nos últimos tempos é a proposta da “Trilha de aprendizagem”.

Antes de tudo, devemos entender que  trilha de aprendizagem é um caminho flexível e alternativo de desenvolvimento de pessoas. Deve-se saber, portanto, que é preciso construí-la como uma sequência contínua em diferentes níveis e graus de aprendizagem e conhecimento.

A escola básica e superior estão desnorteadas por uma razão simples: de uma maneira geral, nunca precisaram – tão urgentemente – se adaptar a uma nova situação, a da Educação remota, ou online. O problema é que essas escolas estão tentando replicar o modelo presencial para uma prática não-presencial. Em outras palavras, estão viciadas na “aula”, se esquecendo de que há outras formas de se ensinar e aprender sem a obrigatoriedade da aula. Há outras metodologias que demonstram eficácia até melhor.

Um aluno de escola básica, por exemplo, poderia aprender fazendo um bolo ou arrumando a casa? não há como se aprender matemática, biologia, história e outras áreas de conhecimento por meio de  desafios e problemas que possam, inclusive, resolvidos em casa favorecendo, assim, uma visão mais realista, concreta e sistêmica do conhecimento.

Para se construir uma trilha de aprendizagem para um estudante ou para um profissional, precisa-se, antes de tudo, se realizar uma avaliação das habilidades e competências desse sujeito, tendo como referência o seu Projeto de Vida. Em seguida, deve-se definir quais ações serão necessárias para o seu crescimento pedagógico e/ou profissional e definir os diversos níveis de dificuldades da trilha, avaliando as habilidades cognitivas de cada um,  partindo do mais simples para o mais complexo.

As trilhas de aprendizagem são as ações que promovem um desenvolvimento por meio de diversas formas de atividades. O objetivo desse método é, de forma estratégica, contribuir para a produção do conhecimento necessário a fim de aprimorar e potencializar as competências e habilidades de um indivíduo.

Nesse período de pandemia, a utilização de Trilhas de aprendizagem pode ser mais uma das práticas que podem incentivar crianças e adolescentes à construção de um cabedal de conhecimentos. Os pais, inclusive, podem participar desse processo de aprendizado. Eles podem ajudar seus filhos a entenderem quem eles são, de que gostam, quais são seus talentos e inclinações, o que eles gostariam de fazer no futuro, qual profissão lhes agradaria… Descobrindo essas peculiaridades, pais e professores, assumindo um papel de tutores, podem e devem criar uma trilha de aprendizagem para seus filhos e filhas. O que eles precisam aprender para, por exemplo, no futuro, poderem atuar como médicos ou advogados, como compositores ou atletas? Qual programação eles precisam ter para alcançar objetivos breves ou remotos?

Várias táticas podem ser usadas nessas trilhas de aprendizagem, como cursos paralelos e o uso de outros conteúdos didáticos, como livros, vídeos, sites e palestras online, por exemplo.

Para o mercado de trabalho, é fundamental que qualquer colaborador esteja em perene crescimento. Para tal, é preciso que se mantenha sempre mais atualizado e qualificado para as funções que exerce. O plano de carreira desse profissional precisa estar plenamente associado à sua trilha de aprendizado. Em suma, ele precisa descobrir aonde quer chegar e, ao mesmo tempo, precisa planejar de que forma e se preparar para isso. Nesse caso, todos ganham, tanto ele quanto a empresa.