Storytelling no mundo corporativo – Saiba contar uma boa história

27 de janeiro, 2019 - por Max Franco

Histórias no mundo corporativo podem ser utilizadas para:

– Criar empatia e “quebrar o gelo”;

– Construir um espírito de grupo;

– Preservar e difundir a história da empresa;

– Criar uma identidade de marca;

– Transmitir conceitos e valores para uma equipe;

– Promover a inovação;

– Partilhar visões;

– Convocar para a ação;

– Humanizar as relações;

– Encantar clientes;

– Motivar grupos e inspirar as pessoas.

Há também aquelas histórias que ocorreram dentro do ambiente corporativo que acabam virando “piadas internas”, ou “palavras de ordem”, as quais, se tornam, por fim, patrimônio daquele grupo. É muito importante que este tipo de narrativa seja estimulada, porque acaba desenvolvendo uma verdadeira cultura da empresa, pois cria identificações e um sentimento de pertencimento territorial que é muito positivo para o grupo.

Como bem sabemos, storytelling é o uso de histórias como ferramenta para compartilhar conhecimentos, experiências, ideais e informações com o objetivo de se conectar emocionalmente com pessoas e de alcançar um objetivo.

Quando pensamos em utilizar o mecanismo do storytelling, precisamos ter algumas respostas claras às seguintes perguntas:

– Quem quero mobilizar?

– Qual reação gostaria de causar?

– Qual história quero contar? É uma “real” ou uma ficção?

– Como contar essa história? Quais recursos devo utilizar para que ela se torne mais interessante?

– Como medir o sucesso dessa história?

Você acha que Malcolm Gladwell (Outliers, Blink, Davi e Golias) e James C. Hunter (O monge e o executivo) fizeram e fazem tanto sucesso por acaso? Você não percebe que eles se utilizam da ferramenta do storytelling quase o tempo inteiro nos seus livros?

Eu sei: tudo isso é muito bonito! Tudo é maravilhoso! Estou convencido de que usar histórias é a quintessência da gestão moderna. Mas, eu não sei criar histórias. E agora?! Estou perdido? Não há mais chances para mim? Serei superado por todos os meus concorrentes? Devo começar a pensar como e onde aproveitarei a minha iminente aposentadoria?!

– Antes de tudo, tenha calma, meu caro amigo! Fique tranquilo que o seu problema é o problema de todos os escritores, roteiristas, produtores, publicitários do mundo atual. Criar é tarefa hercúlea! Criar é troço difícil! Nem todo mundo tem o cérebro privilegiado de um Luís Fernando Veríssimo, de um Guimarães Rosa, de um Machado de Assis, de um Érico Veríssimo… Mas também não precisa de tanto.

Há gente e há deuses, e é por isso que existem altares para deuses. Nós, reles mortais, maioria maciça do planeta Terra, temos limitações, porém não é por causa delas que devemos nos dar por satisfeitos e morrer na omissão e na inércia (e na inanição!). Não precisamos ser Saramagos para criar histórias. Lembre-se que, no seu começo, nem Saramago já era Saramago. Portanto, devemos e podemos começar a nossa “Jornada do herói” saindo da lassidão da nossa zoninha de conforto se aventurando pelo arriscado terreno que é domar palavras.

Já divulguei diversas dicas anteriormente para favorecer a criação de uma boa história e, agora, vou fornecer mais uma. Observe este resumo e depois conversaremos mais.

Se você quiser escrever uma história atraente, deve:

– Antes de tudo, ler muito. Ler o quê? Poesia, romance, conto, crônica… Revistas especializadas e livros técnicos são muito bons. Mas não contribuem em quase nada para atiçar a sensibilidade artística e explorar emoções. Escolha, portanto, ao menos um livro de Literatura por mês. E um técnico por semestre. Assim, você terá futuro;

– Determine o estilo da história (aventura, suspense, romance…);

– Apresente seus personagens;

– Explicite a sua situação-problema;

– Dificulte a vida do seu protagonista;

– Determine um dilema moral;

– Tenha cuidado com a coerência do seu texto;

– Dê espaço para as emoções;

– Seja autêntico;

– Não queira “refinar” o seu texto com contexto elaborados demais e palavras que não sejam do idioma corrente;

– O importante é se fazer entender. O próprio Saramago dizia: “Os revisores de texto também têm que comer”. Tente escrever com a grafia correta, obedecendo à Gramática, mas isso não é a coisa mais importante;

– Conduza a história para uma solução do conflito, nem que a solução não “solucione” algo. O seu final não precisa ser feliz. O importante é que você tenha um final;

– Após escrever a história, deixe-a decantar por – ao menos – três meses dentro da gaveta. Aconselho que você tenha amigos nos quais confie ( e que não precisem lhe agradar) para, com imparcialidade e isenção, servirem como advogados do diabo do seu texto. Quanto mais honestos e crueis eles forem, melhor. Depois, você deve aceitar apenas o que você desejar acatar. Mas, é muito importante que existam críticas e sugestões para abalizar a sua produção. Podem haver erros crassos de coesão e continuidade que você não enxergou, porque estava demasiado próximo ao texto. Você precisa manter a distância necessária. Perto demais ou longe demais sempre turva a vista.