Storytelling como metodologia ativa na Educação

30 de junho, 2019 - por Max Franco

A Saga do herói ou Monomito, como define Campbell, está presente, há milênios,  no inconsciente coletivo. Mas, a grande surpresa é saber que ela não está inserida apenas nas narrativas ficcionais. A aprendizagem pode ser também interpretada como uma “jornada de descobertas”.

É fundamental, portanto, que os aprendizes sejam continuamente desafiados a superarem obstáculos e a resolverem problemas impostos pelos seus professores, ou mentores.

Há  três aplicações diferentes da metodologia do storytelling  no processo de Ensino-aprendizagem:

– A utilização do storytelling como um recurso estético e atraente ao discurso do professor para atrair a atenção do aluno e trazer exemplos que esclareçam processos;

– A “Jornada” do aprendiz, que é feita pelo estudante;

– A “Jornada” do mentor, que é feita pelo professor (palestrante, consultor ou facilitador de treinamentos). Todo professor deve se tornar mentor.

Kipling dizia que se a História fosse ensinada por meio de histórias, ela jamais seria esquecida. Mas podemos ensinar tudo por meio de histórias? Há, por exemplo, como se ensinar química ou biologia usando storytelling?

É comum que grandes professores e oradores sejam sempre bons contadores de histórias. Mas há de se entender como se faz para “encaixar” o conhecimento que se deseja veicular dentro de uma narrativa bem construída e atraente para os ouvidos dos seus alunos.

Grandes cientistas e pesquisadores fizeram uso de histórias para explicar as suas descobertas, como fez Newton no famoso caso da maçã para explicar as leis da gravidade. Fernando Palácios, no seu O Guia completo do storytelling (p 180, 2016), aponta que educadores também utilizam de narrativas para atrair a atenção dos seus alunos, com tais benefícios:

– Gerar uma comunicação mais próxima com o jovem;

– Conquistar o interesse de novos alunos;

– Transmitir conhecimento de forma mais interessante;

– Garantir um aprendizado mais eficiente, por ser demonstrado na contextualização;

– Permitir uma intertextualidade entre disciplinas, já que as histórias nunca são sobre o mesmo assunto.

Acima de tudo, como afirma Palácios:

O storytelling pode resolver aquilo que chamamos de Paradoxo da Compreensão:

“Só se compreende um novo conhecimento quando se presta atenção, só prestamos atenção naquilo que consideramos útil, só julgamos como útil aquilo que somos capazes de compreender” (PALÁCIOS, p 180, 2001)

O storytelling é um método “elástico”, porque ele pode ser utilizado por diversas metodologias pedagógicas, inclusive a tradicional aula expositiva. Na verdade, o storytelling é ideal para “salvar” a aula palestrada da sua natural monotonia, afinal, por meio de narrativas bem construídas e contextualizadas, qualquer conteúdo pode ganhar cores mais atraentes e, portanto, serem assimilados de forma mais eficaz.