O Noel filho da Coca-cola

28 de dezembro, 2016 - por Max Franco

Se eu fosse uma indústria de refrigerantes ambiciosa que desejasse ampliar o alcance da minha marca, eu criaria um personagem que tivesse um backstory, isto é, uma história já conhecida que naturalmente atraísse a simpatia do público. Eu, por exemplo, utilizaria alguma figura histórica ou um personagem fictício de conhecimento geral. No caso do refrigerante, que tem um perfil sempre associado à leveza e à diversão, nada mais adequado do que fazer uso de um sujeito bonachão, alegre e generoso. Poderia, inclusive, me apropriar da imagem de alguém que viveu na antiguidade, com fama de bondoso, até de santo.

Nicolau que viveu na Antiguidade e que virou santo é o homem por detrás do mito. Na verdade, Papai Noel. Uma figura que também tem origem em tradições germânicas e nórdicas. O protestantismo sempre buscou um simbolismo diferente do católico, o qual, costumeiramente, enfatizava a figura do presépio. Assim, nasce um dos personagens mais famosos em todo o mundo, Mas ainda não estava completo…

A imagem difundida do Papai Noel tem uma origem comercial. A figura de um velho sorridente, com barba branca e roupa vermelha foi criada e divulgada pela Coca-Cola no fim século XIX. Podemos, na verdade, dizer que o Papai Noel foi criado pela Coca-Cola (Entendeu o vermelho agora?). Existiria estratégia melhor para uma marca do que criar um personagem simpático que entra em todas as casas do mundo para distribuir felicidade para todos? Sucesso garantido! Por fim, o cinema, a publicidade e os programas de TV trouxeram a imagem para o Brasil. Aí se fez um clássico!

– Podemos, entretanto, afirmar que o Bom Velhinho matou o presépio.

Basta ver, atualmente, o que prepondera: o distribuidor de presentes ou a cena bucólica? O Papai Noel é a vitória do capitalismo sobre a simplicidade. É que estoicismo não serve para o mercado.

O Papai Noel, em outras palavras, é um grande sucesso de Storytelling bem aplicado.

Não sei, porém, se é igualmente sucesso no campo de “espírito natalino”…