O papel do mentor

03 de abril, 2016 - por Max Franco

Não é novidade para ninguém: vivemos um momento muito complicado nestas atualidades. Antes, a humanidade queria prever o futuro para poder se precaver. Hoje, desejamos ardentemente entender o presente para podermos sobreviver. É um mundo confuso. Talvez, por isto, estejamos tão carentes de mentores e de guias. O homem hodierno, solitário, desorganizado e desorientado vive clamando por cicerones que lhe indiquem o caminho, apontem o mapa e iluminem a estrada sombria.

A abissal carência de orientação é a força motriz que desencadeia esta busca desenfreada por mestres à qual assistimos na modernidade, e é o que vai gerar este fenômeno pop de tantos professores, pastores e padres seguidos por milhões de pessoas. É simples: quem está perdido busca quem tem ou promete ter um GPS qualquer. Há alguém que não se sinta perdido neste mundo de 2017?

A relevância do Mentor, porém, não é um advento atual. Na eloquente e profícua obra de Joseph Campbell, o autor ressalta, nos estágios da saga do herói, o importante papel deste personagem. Mesmo sendo educador desde os meus 18 anos, por pura ignorância, eu não imaginava, até me aprofundar no conhecimento da “Jornada do herói”, que o papel de Mestre pudesse ter uma participação tão fundamental na consecução de uma história.

O herói muitas vezes precisa de motivação e orientação de alguém experiente. É aí que entra o mentor (um velho soldado, pajé, xamã, professor, monge, sacerdote…) que ensina o aprendiz a seguir o seu caminho. É um guia para a famosa jornada.

Ultimamente, no mundo da ficção, especialmente, no cinema. Estamos acompanhando um fenômeno bastante peculiar e, de fato, muito correspondente à realidade: estamos acompanhando o exato momento em que heróis se transformam em mentores.

Rocky se transforma em treinador. Luke Skywalker terá uma aprendiz. Antigos e clássicos heróis estão deixando a protagonização e estão formando novos discípulos. Portanto, novos protagonistas. O tempo é cruel?! Sim, também é, mas não só. O tempo promove estas mudanças e mudar faz parte da vida.

Vai ser mais um episódio de crescimento para estes heróis, os quais, outrora, também tiveram seus mentores, mas que, agora, assumem uma nova função na história. Há, inclusive, uma teoria que afirma que todos os mentores – outrora – tiveram seus dias de heróis.

Educar é guiar. Duc é uma palavra latina que significa conduzir, levar. O duto é uma passagem. O condutor é quem leva. Todo educador é, portanto, cicerone. Ele esteve lá antes ou sabe o caminho, ou tem experiências acumuladas que lhe permitem descobrir atalhos. O mestre, a rigor, é um guia e um professor.

Portanto, potencialmente, todo herói é um futuro mentor.

Na verdade, o teatro grego nos ensina que um mesmo ator pode assumir vários papéis. Era comum na dramaturgia clássica que que os atores mudassem de personagens e, para isso, usavam máscaras. Acredito que, na vida, o ideal é fazer exatamente como nesses tempos idos. Há momentos nos quais usamos a máscara de aprendiz, noutros, de mentor. Há horas nas quais ensinamos. Há outras quando aprendemos. É o roteiro que define. O importante é seguir a deixa e usar a máscara certa no momento adequado.