O papel do mentor

13 de maio, 2018 - por Max Franco

Novamente tratando da Jornada do aprendiz, o professor sempre tem ou deveria um papel fundamental. É ele que deve assumir o papel de cicerone nesta viagem. Mas, deve ter cuidado com um detalhe importante: o guia não carrega o seu conduzido nas costas. Professor não deve ser paternalista. Na verdade, nem sequer o pai deveria ser deveras paternalista. O dever do caminhante é caminhar, e ao caminhar, é lógico, faz parte cair, faz parte se cansar ou até pensar em voltar sobre as próprias pegadas. É principalmente neste momento que deve ser a deixa do professor. Fazendo o quê? Entusiasmando, motivando, animando.

Veja só: entusiasmar um verbo vem do grego in theos   (em Deus) , da mesma forma que animar é “dar alma” e, claro, motivar vem do mesmo radical latino de “emoção”. Por isso, nunca devemos deixar as emoções fora da sala de aula. Nós não somos, afinal, seres pensantes que temos emoções. Mas seres emocionais que pensamos.  Um bom professor deve saber usar elementos racionais e emocionais na sua sala de aula. Um professor muito pautado na logicidade é sempre boring. É o tédio ambulante. No entanto, um professor fincado em práticas por demais subjetivas e motivacionais pode pecar por carência de conteúdo.  O ideal é – nessa jornada do aprendiz – encontrar o seu caminho do meio.

Um bom professor sabe sempre como, quando e quanto deve desafiar os seus alunos. É importante sempre ter em mente que sem as dificuldades inerentes à jornada não há crescimento. É a superação que nos forma. Por isso, toda Educação exageradamente norteada pele entretenimento e pela diversão é uma fraude. Não estou dizendo que não devem fazer parte da química do planejamento de ensino. No entanto, se o professor retirar  as dificuldades da caminhada, ninguém se tornará bom caminhante.

A questão é que a Educação sempre sofreu muita influência dos  modismos.

Não se pode exigir dos alunos se não gera traumas. Não é?

A criança ou adolescente não podem se frustrar.

A Educação só é boa quando diverte e entretém,  confere?

Tudo isso é um embuste e quem é professor há vários anos também sabe disso.

Educar é sempre educar para a vida e a vida não é uma parque da Disney. Na verdade, nem num parque da Disney estamos livres de frustrações. Há sempre filas. Há sempre dificuldades a superar. Viver – querendo ou não – é uma corrida de obstáculos. Por que desejamos que a escola seja um eterno playground é um fator que deveria ser estudado pela psicologia moderna.

Tire a condição de superação dos seus alunos é você verá que geração os professores contemporâneos vão entregar para o futuro.