A história é a história do problema (Campanha da Cornetto)

24 de abril, 2016 - por Max Franco

É mentira quem diz que odeia problemas.

Na verdade, eu poderia dizer, sem medo, a maioria das pessoas que conheço vive em busca de problemas.

Veja só o que fazemos para viver: há quem seja advogado, jornalista, agente funerário, médico, professor, dentista… Esses só existem porque existem problemas.

Por sinal, qual profissão existe que não seja para resolver problemas?  Bombeiro? Policial? Professor? Esteticista? No way! Resolvam os problemas do mundo e todos estaremos sumariamente desempregados.

Mas, aí você, leitor atento, poderá me questionar (e você mesmo me arrumar um problema): – E os artistas? Os esportistas? Que dificuldade solucionam?

– A do tédio, é claro! – eu responderia.

O esporte é o problema celebrado. Problema com lugar e hora definidos. Nada mais do que uma verdadeira apologia ao problema.

Você pode até não concordar à primeira leitura, mas pense bem e avalie se não é verdade: a maioria das pessoas interessantes que você conhece é inclinada a criar problemas para si mesmas.

Gente é igual a filme. Gente monótona não é interessante! Gente atraente é criativa, curiosa, inquieta, incomodada. Gente cativante vive inventando moda, provocando os outros, quebrando padrões, porque, afinal, não há inovação sem rompimentos.

Em todo ato criativo habita o germe da rebeldia. Por isso, de certa forma, todo criador é um desajustado, um gerador de problemas. Mesmo que a sua intenção tenha sido solucioná-los, toda solução traz a sua carga de problemas inclusas no pacote.

E de tanto que apreciamos o problema que ele está presente na nossa vida em cada ato nosso.

Estudamos para preencher o vazio (problemático) da nossa ignorância.

Trabalhamos porque morrer de fome é um grande problema.

Lemos romances, vamos ao teatro e assistimos a filmes porque queremos ver como os outros resolvem os seus problemas.

Namoramos, noivamos e casamos porque arrumamos o problema de não conseguirmos mais viver sem aquela pessoa (e aí arranjamos um baita problema!).

Torcemos pelos times que torcemos porque os problemas do time foram adotados, voluntariamente, por nós.

Fazemos dietas para entrar em forma porque aceitamos que ficar fora de forma ideal é um problema.

É como costumo dizer: quem faz o toureiro é o touro. Quanto maior, mais bravo, ágil e feroz for a besta, mais considerado e exaltado será quem a superar.

É a superação que faz toda a glória.

E de problemas e superações, vamos preenchendo a vida.

É isso mesmo: problema é o que mais desejamos. E digo: não faz mal. Não se desespere caso concorde comigo. (Isso seria um problema!). Você não é masoquista se concordar comigo. Masoquista seria se você procurasse encrenca. Encrenca é diferente de problema. Quem procura encrenca é burro. E inteligente é quem procura o problema certo.

Queira ou não, problemas, dificuldades, metas, desafios, obstáculos são necessários, pois precisamos de um quinhão constante deles para que a nossa vida possa ter algum sentido. Assim, vivemos solucionando alguns aqui e providenciando outros acolá. É instintivo! Se não, você simplesmente se sentaria numa cadeira de balanço, vestiria um pijama confortável e esperaria a morte vir lhe resgatar desse enorme problema que é viver.

Mas a morte seria mais um problema.

Há quem diga que, esse sim, sem soluções.

Então, para finalizar, desejo-lhe um bom problema para você.

Mas , apenas do tamanho que você possa resolver sem se desgastar (demais).

Se ele for grande, não esmoreça, maior ainda será você.

– Qual é o problema do protagonista? Por que ele o sofre?  Há alguma intervenção do Mentor? Quem ele é? Você acredita que o storytelling é bem utilizado pelos roteiristas da propaganda?