Sobre o que é e o que está

07 de abril, 2016 - por Max Franco

Nada é. Tudo sempre está.
Porque tudo muda o tempo todo no mundo. Porque nada do que foi será. Como dizia o grande filósofo Nelson Mota na música do Lulu. A gente até deseja que algumas coisas sejam perenes, rochas angulares toneladamente fincadas nos nosso ideário mental, moral e afetivo. A gente até fantasia paradigmas, elege princípios, cria objetivos, sempre para acreditar que existe abaixo de nós, de fato, algum chão para pisar. É a eterna busca de segurança e no caso da utópica segurança de alguma convicção.
Todavia, se hoje tivesse que deixar algum legado (ainda bem que não tenho) ou alguma herança imaterial (já que material é que não daria mesmo!) eu postularia poucas confianças. E, já que, hoje, confio com reservas. Convém não gastar muito a tal da confiança. Confiança é moeda valorosa.
O fato é que confio. Confio econômico, mas confio.
Confio, por exemplo, no amor que tenho pelas pessoas amadas. Mas não mais, absoluta e irrestritamente, nelas. Pessoas são apenas pessoas. Tais como eu, inclinadas à volubilidade e à deficiência. Pessoas são portas tanto para o céu quanto para o inferno. Tanto quanto eu.
O diabo é que o inferno tem um departamento de marketing mais eficiente e, por isso, o inferno das pessoas é sempre mais exposto, menos acanhado.
Já céu é troço comedido.