Palavras

05 de julho, 2018 - por Max Franco

Eu sempre fui um apaixonado pelas palavras.
Na verdade, por isso fiz Letras na faculdade. Mas, teria preferido fazer “Palavras”.
Há um dilema, entretanto, com as palavras que me está vindo à mente ultimamente.
A palavra traz sempre um quê de leviano dependendo da mão ou da boca que a usa.
Talvez porque a palavra seja sempre algo democrática. Palavra cabe sempre na boca de qualquer um. Basta o sujeito conhecê-la, dominar a sua pronúncia e pronto. Eis a palavra. 
Palavra é coisa gratuita, indefesa, domável. Palavra não consegue impor reserva ao seu manuseio. Palavra é portátil, menos as mais pesadas. Palavra é elástica, mesmo as mais duras.  Palavra é fácil, mesmo as mais difíceis. Palavra é pequena, mesmo as maiores.
Qualquer um pode utilizar – à revelia – qualquer palavra.
Palavra não cobra pedágio, não exige aluguel.
Melhor seria se palavra fosse tratada como dinheiro.
Se todos não tivessem uma fonte inesgotável tão disponível facilmente.
Se não pudessem gastar palavras sempre quisessem.
Se não tivessem como desperdiçar palavras tão preciosas toda vez que desejassem.
É que ignoram, palavras são valiosas.
Palavras são sagradas.
Que toda palavra mal empregada,
Que toda palavra deturpada pela boca errada,
Que toda palavra rabiscada pela mão suja,
Que estas palavras sejam declaradas blasfêmias.
E que o palavrador seja, imediatamente, deslido, desescutado, despalavrado.
Porque é pecado o uso da palavra gratuita. Não usem os santos nomes em vão.
Palavras merecem respeito!