O júri do terror

18 de abril, 2016 - por Max Franco

Devo mesmo estar envelhecendo. Na mesma vida (não acho que existam tantas!) acompanhei o segundo impeachment de um presidente da república. Há povos e nações que nunca viram ou verão algum (pessoal entediado?)
Não sou jurista. Não sei dizer se ela cometeu “crimes de responsabilidade”. Para mim, todo crime é de responsabilidade. Há quem diga que sim e quem diga que não cometeu. Era e sou a favor do processo por razões simples: pela manutenção do poder, a presidente cometeu estelionato. Passou cheques que sabia que não teria como cobrir  e fez promessas que não poderia cumprir. Ela mentiu e foi incompetente, ou foi corrupta ou acobertou a corrupção de seus partidários. Isso é inadmissível para um partido que se ergueu defendendo a ética. Hipocrisia é intolerável. Não é por que PT encabeçou avanços sociais que ele está autorizado a roubar. A lei é para todos e absolutamente ninguém está acima dela. Não há essa história de os fins justificarem quaisquer meios. O PT teve toda a chance do mundo de fazer diferente e escolheu fazer o mesmo. Não dá – agora – para posar de vítima se ancorando na narrativa débil do “golpe”. Se tivessem agido retamente e o pleito do impeachment viesse à tona, eu seria o primeiro a lutar pela democracia. Eu e muitos.

No entanto, não vejo grande razão para comemoração. Impedir um presidente é sempre uma falência. Este país sofreu muito por causa deste embate pelo poder. E o pior é que não acho que vai mudar grande coisa. A não ser que conseguíssemos vislumbrar nesse ato uma ignição para a limpeza generalizada. O povo brasileiro deveria pegar o embalo e higienizar o resto, e o resto é imenso. O certo será limpar Cunha, Calheiros, Aécio, Serra, Alckmin, Maluf e todos os demais (demais mesmo!) ladrões na vida pública nacional. Devo confessar que duvido muitíssimo que esse saneamento ocorra. Mas torço e trabalharei por isso.
Não obstante, tenho uma impressão que me incomoda. Considero Dilma de uma inanição mental arrebatadora. Ela nunca poderá ser acusada de porte de inteligência, versatilidade, oralidade e capacidade de se relacionar. Ela foi péssima escolha. Contudo, claramente, ela foi julgada por alguns homens muito (mas muito!) piores do que ela, e isso é algo dos mais bizarros. Dilma é, perto de alguns naquele parlamento, é Gandhi.
Hoje, atônito, eu vi a múmia sendo condenada pelo drácula, pelo lobisomem e pelo Fred Krueger.

– Que não nos faltem estacas de madeira, cruzes e balas de prata.