Não pense

20 de maio, 2016 - por Max Franco

Tom Jobim dizia que ser brasileiro não era para principiantes. Hoje, eu diria que não é tarefa nem sequer para profissionais.

Se é que vai sobrar algum profissional (em atividade) depois dessa crise na qual nos empurraram à cata de poder.

Por sinal, quero pedir desculpas ao presidente em exercício, legitimado por alguns e deslegitimado por outros, pelo uso da palavra proibida, ou seja, “Cris…” (Ops, ia dizendo de novo!).

Tudo bem, eu não a usarei, nem falarei dela. Da maldita e mal versada, aquela que não pode ser citada, a famigerada,aquela da qual não se pode falar o nome.

Acho a estratégia da presidência de uma inteligência arrebatadora. Ao não se dizer o nome nem se pensar nela – puff!!!! – Ela desaparece. Espalha-se no ar. Maravilhoso!

A palavra tem poder, tem razão. Pois é simples, assim providenciamos todas as soluções das quais tanto precisamos. A partir de hoje, não falemos também de violência, tráfico de drogas, desmatamento, dengue, H1n1, sucateamento da Educação, Eduardo Cunha e, é claro, de políticos.

Que delícia que ficaria este país se todos estes sinistros – de repente – sumissem de vez. Se as suas palavras e denominações, imediatamente, se calassem!

O problema é que, talvez, este efeito mágico não funcione tão bem e tão cedo.

Não existe silêncio delivery de existência perniciosa. Não é som ou significado dos vocábulos que os provocaram existir e incomodar tanto. Se não, seria fácil. Seria só mudez.

O pior de uma colocação como esta é a infâmia, a malícia por detrás dela (pela frente, ao lado, em cima…). Como fosse pela palavra empregada pelo povo que ela existisse. Ou pela preguiça deste povo.

Caro presidente com p minúsculo, vá trabalhar, você, enquanto pode e não for – também – escorraçado do seu posto desmerecido. Não fomos nós que, por insanidade, luxúria por poder, incompetência e corrupção avassaladoras que enfiamos o país nesta cri… nesta pocilga, nesta piscina cheia de ratos, que você e seus amigos representam tão bem.

É simples: cale-se e trabalhe.

Enquanto pode.