Dos zumbis e utensílios domésticos

19 de maio, 2016 - por Max Franco

Apenas uma provocação para começar o dia:

Niemeyer, o quase imortal, dizia que todo mundo – cedo ou tarde – iria se foder. “A vida é um sopro!”. Ele que morreu com mais de cem diz isso. Imagina a maioria da humanidade, que morre com menos… O que é menos do que um sopro? Um soluço?!
O fato é que todo mundo vai morrer. Desculpa se tiro a esperança de alguém ou crio terrores noturnos. Mas que vai, vai… Lo siento.
Todavia, não quero falar dos mortos-mortos. Sobre estes, basta o velho requiescat in pace. O meu argumento hoje é sobre os mortos-vivos (ou vivos-mortos, como queira). O fato é que, quase com certeza, há para você algum vivo que, mesmo saltitante e serelepe por aí, se encontra morto. Morto para você.
Eu tenho, confesso. Alguns foram vivos, respirantes e presentes quase cotidianamente. Outros – natimortos – que não duraram quase nada.
Por que existem estas visagens? Geralmente porque pessoas são sacanas. Não no aspecto legal da palavra sacana, se é que me entende…
Gente erra. Gente respira e erra. Acredito que, na maioria das vezes, por ignorância, desaviso, distração. Pedras se chocam na corrente do rio. É da vida o embate. Acontece. Porém, uma coisa é se distrair e magoar alguém, outra é vir com uma marreta e, propositadamente, baixar na sua cabeça. (E ainda diz assim “ops”!)
Gente desse naipe, que trama, conspira e age contra você só merece duas coisas: uma marreta maior ou morrer para você. Em outras palavras: distância. Cave na sua mente um covazinha profunda para esse sujeito e meta-o lá pela eternidade.
Perdão é uma possibilidade? Claro. Sou a favor do perdão. Mas perdoar é uma coisa, fazer lobotomia e se esquecer, outra.
Por via das dúvidas, em relação aos indivíduos providos de carência de caráter, o melhor remédio que aconselho é quilômetro. Isso mesmo: manter nenhum rancor no coração e muitos quilômetros de distância. Na maioria das vezes, quilômetro resolve muita desafeição.
O problema é quando estes zumbis se erguem dos seus túmulos e, pestilentos, vem lhe atanazar a vida. Tem muito morto amostrado nesse mundo. Não é todo defunto que aceita a morte facilmente. Nesse caso, bro, lhe digo: pode bater a tentação de uma ressurreição. Mas digo, isso é burrice! O que um morto pode querer com você? No mínimo, seu cérebro, sua mente, seus pensamentos, sua atenção. Morto pede seu tempo, deseja homenagem. A sobrevida do morto acontece ali no exercício da sua memória. Esqueça-o, então. Reze na sua missa de 7o dia e Exorcize-o imediatamente.
Por via das dúvidas, evite mesas brancas, não fale com os mortos.
No máximo, leia-os. Quais? Alguns: Fernando Pessoa, Vinicius, Jobim, Wilde, Sabino…
Esses – sim – são os melhores mortos que vivem por aí.