Aviso aos desavisados

12 de maio, 2017 - por Max Franco

Aviso aos desavisados

A você que me conhece
Conheça-me
Não com o olho de ontem
Porque ontem foi pretérito
E preterido
Mas com olho amanhecido
Reconheça-me mais uma vez
E de novo
Eu não sou o que era
Eu sou o serei
Eu só sou o que sei

Eu sei que nada sou

Eu sou mais nada

Eu tenho mais nada
Eu me tiraram tudo
Sobrou só o corpo das roupas
Então me olhe com olhos novos
Olhos desembrulhados agorinha
Olhos recém-tirados da caixa
Você me pretende preconcebido
Enquanto nasço novo em cada manhã
Eu não sou só o que você pensa
Eu sou isso e aquilo
Eu sou todo e pedaços
Eu sou todo aos pedaços
Eu sou latitude e longitude
Sou longe e atitude

A você que me ama
Me ame hoje mais que sempre
Me ame hojemente
Hojamante
Hoje aos montes
Porque antes ou depois

Por melhor ou pior que seja

Todo amanhã vira ontem

E ontens se extraviam

Se perdem entre as quinquilharias do tempo

A você, porém, que me despreza
Não lhe nego motivos
Me perdoe o mau jeito

É que de tanto errante, errei

A você que me despreza

Não sei qual deus lhe reza
Não sei se meu mal lhe faz sorrir
Não sei o quanto lhe alegra me ferir
Não sei qual livro me lê

Mas sei qual pensamento penso em você.