Aos 48

16 de fevereiro, 2018 - por Max Franco

Aos 48, me sinto exatamente com os 48, nenhum dia a mais ou a menos.

Não me olho no espelho cevando esperanças vãs nem desesperanças absurdas.

Esperança é coisa que se esvai aos 48. Esperanças e cabelos.

São estes pensamentos que ganham o castelo da sua mente quando se aproxima o dia dos seus anos.

Muitos são lúgubres. Alguns, coloridos e tem o cheiro da chuva que cai pela manhã.

Esperar é outra esperança que cai.

Espero nunca mais esperar. Aos 48, tempo é tão valioso que nem dá para dizer que é dinheiro.

Tempo é tão importante que tempo é tempo.

Quem espera, nunca alcança – ao contrário do que dizia o Russo.

Eu esperei uma cidade melhor, um país melhor, um mundo melhor. Esperei até cansar.

Esperei não me decepcionar com as pessoas.

Esperei não decepcionar pessoas.

Esperei pessoas.

Desesperei  pessoas.

Amei pessoas. Amei demais. Amei mais do que a mim.

Amei tanto que me desalmei. E aprendi a amar de novo.  Devagar e sempre.

Antes, bebia enxurrada. Hoje, bebo gota a gota.

Economizando cada miligrama, não porque seja pouco (e é o contrário) , mas para que seja eterno.

Também amei amigos.

Uns se perderam nas esquinas do tempo.

Porém não perdi algum. Só reconheci-os.

Outros estão aqui e pedem um café com sorrisos e lágrimas.

Em todos os momentos, aprendi.

Às vezes, rápido. Outras, longamente.

Há desses aprendizados longos, você não sabe?

O melhor de mim – porém – está fora.

São meus filhos que caminham seres lindos, e honrados, e felizes, e melhores.

Carregarão sempre algo meu, mesmo quando eu não mais estiver. E – por sorte – serão tão diferentes.

Aos 48, sou a 48a versão de mim. A versão melhor, até a 49a. Depois, até 50a…

Perdoa se não fui o melhor de mim com você. Perdoa o mal jeito.

Também não peguei leve comigo.

É estranho como tenho vontade de pedir perdão a mim e a todos – a cada instante.

É que, de tudo que mais me arrependo, me arrependo de não ter me tornado o homem que fui.

Mas a vida é agora.

– Agore-se, Vida!