A BNCC subiu no telhado?!

26 de maio, 2019 - por Max Franco

2019 havia começado com algumas promessas no campo da Educação e, em suma, podíamos resumir boa parte delas a uma sigla: BNCC, a famosa Base Nacional Comum Curricular, um documento homologado nos governos anteriores, mas que deveria começar a ser detalhado e aplicado a partir de 2019, com prazos diferentes de implementação nos próximos anos. No entanto, uma das questões que mais inquieta os educadores brasileiros da escola básica (e a pergunta que não quer calar) é quando o atual governo vai dar alguma atenção ao que, com duras penas, foi decidido e conquistado em anos anteriores.
Mesmo a BNCC não sendo um documento perfeito, ela representa para muitos educadores, principalmente, os comprometidos com uma prática Educacional mais moderna e participativa, um grande avanço em comparação com o que, geralmente, se propõe pelas escolas públicas e, também, privadas no território nacional.
A BNCC, sedimentada sobre o desenvolvimento de habilidades e competências, propõe uma formação muito mais abrangente e sintonizada com as demandas atuais.
O medo de muitos educadores é de que o governo atual “se esqueça” dos direcionamentos propostos pela Base Comum e ela vire mais uma daquelas leis brasileiras que, acidentalmente de propósito, “não pegou”!
O fator que agrava esse quadro é muito simples: quem vai fiscalizar?
E se não houver controles e, consequentemente, multas para quem não seguir a BNCC em determinado tempo, ela será levada a sério?
Se ocorrer a regência do “mesmo de sempre”, o resultado já é do conhecimento de todos. A Educação das nossas crianças e adolescentes continuará mantendo seus cânones conteudistas e limitados. Não haverá o respiro e a inspiração de formação atualizada e integral que a BNCC determina.
A BNCC, portanto, subiu no telhado?
Podemos perder as esperanças de prover aos nossos jovens um ensino sistemático que seja pautado por competências modernas e habilidades socioemocionais como empatia e cooperação, autocuidado e autoconhecimento, autonomia e cidadania, entre outras que estão presentes na BNCC?
O risco, de fato, existe.
Será que o atual governo não tem o menor interesse, por exemplo, de desenvolver o “senso crítico” ou a produção criativa e artísticas dos estudantes atuais? Na verdade, não houve nesses meses de governo, qualquer movimento positivo voltado para a Educação. Nesse contexto, a sigla BNCC se foi citada, deve ter sido mui rapidamente, quase a contragosto, e sem grande empenho.
Nessa altura, pelo que previa o cronograma anterior, o MEC deveria estar centrado em definir conteúdos programáticos, formar professores, preparar material didático, entre outras iniciativas previstas.
Entretanto, as preocupações do atual governo brasileiro, quando se fala em Educação, foi com Hino nacional, escola sem partido, cortes de verbas, além de pautas ideológicas e religiosas. Uma total digressão, para não se dizer retrocesso.
Mas, ainda há esperança para a BNCC? Ela vai conseguir escapar da queda do telhado?
Sim. Há algumas chances ainda.
Dessa vez, temos que ficar felizes com os lobbys. Afinal, diversas empresas mastodônticas de Educação fizeram grandes investimentos ao produzir materiais fundamentados na BNCC.  São fundações com fins educacionais, sistemas apostilados de ensino, marcas poderosas de escolas, plataformas pedagógicas que já se prepararam para a efetivação da BNCC.
Como sabemos, esse pessoal não gosta de perder dinheiro e costuma fazer valer os seus investimentos.
É quase irônico, mas, neste contexto, temos que apostar na força do capital para nos salvar da inércia e da ignorância. A BNCC pode ter escorregado, mas ainda não despencou.
Diversas escolas, portanto, estão se antecipando e formando seus profissionais para a aplicação da BNCC, inclusive já se preparando para os tais itinerários de  aprendizagem que devem ser propostos no ensino médio.
Resta-nos, então, nos mobilizarmos para salvar a BNCC não deixando que o assunto caia no vazio e, principalmente, estudando o documento para que aprendamos como trabalhar de acordo com os seus princípios.