Sobre amar o que se faz

10 de junho, 2016 - por Max Franco

Clieque e confira no Amo minha profissão

Foi que o repórter de nome apropriado – Machado – me solapou com a pergunta:

– Você é professor e ama a sua profissão?

Eu não podia culpá-lo pela inquisição. O tema do quadro era esse, “Amo  minha profissão”. E não vi malícia na questão. Professores podem amar o que fazem. Por sinal, o ideal é que só os amantes fossem o que são. Ainda mais, professores.

– Eu, por vezes, voltava caminhando da Escola Técnica. 8 km de caminhada sonhando com um público imaginário atento à minha aula. Nem sabia do que seria a aula, mas sabia que existiriam. Eu também sonhava em fazer o gol do Vasco na final, mas infelizmente nenhum olheiro me descobriu para o futebol.

– E você começou a dar aula muito cedo?

– Aos 16 já era professor particular, depois, mal entrei na faculdade e já estava em escola, seja como coordenador, seja como professor de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Eu tive dúvidas, na verdade, entre a História e as Letras. Acabei escolhendo a Literatura porque unia o melhor dos dois: texto e contexto. Achei perfeito. Ainda acho.

– Mas, você não atuou somente como Professor?

– Acho que fui, e sou um educador. Por sinal, em tudo que faço. A minha filha me diz isso. Diz que dou aula o tempo todo. Não importa como tenha atuado dentro e fora da sala de aula, coordenador, diretor de departamento, guia de turismo, escritor, palestrante, consultor, ou onde tenha atuado, seja aqui em Fortaleza, ou em São Paulo, ou numa palestra para uma empresa no Rio de Janeiro ou em BH, ou até conduzindo grupos dentro do Louvre ou num campo de concentração da Alemanha… Todos estes termos e ações foram apenas apelidos e recursos para o que de fato sou e me sinto feliz sendo: Educador. Duc em latim quer dizer guiar, conduzir. O Professor é isso, um cicerone. Ele descortina a vida  e apresenta caminhos. Em outras palavras, ele traz conhecimento para iluminar a estrada. No fim, porém, é sempre o aprendiz que escolhe se quer trilhar aquele caminho ou outro. O Professor tem esse grande privilégio, essa chance maravilhosa, de poder interferir, de influenciar positivamente a vida de uma enorme leva de pessoas.

– E você teve o seu modelo?

– Mais do que um modelo, um mentor. Professor Itamar Filgueiras. Primeiro como Professor na faculdade, depois como colega de profissão. Eu via aquele sujeito dando aula depois de tantos anos de atividade e pensava: um dia eu quero ser tão bom assim para poder ser igualmente importante para os meus alunos. Eu tentei e tento todos os dias aprender mais para poder doar mais. Ser professor é uma forma de amar as pessoas. Há uma mágica ali. Uma mágica difícil de explicar. Como não se explica a paixão por um time ou o sentimento por alguém. É aquela mágica que justifica o amor pela minha profissão e de todos que a fazem com igual devoção.