O consolo dos derrotados

01 de abril, 2017 - por Max Franco

Em virtude do trabalho que realizei em Portugal, acabei me aprofundando em algumas pesquisas sobre o poeta Fernando Pessoa. Não sei por qual motivo, porém, sei que os “malditos”, os “rejeitados”, os “derrotados” sempre me exerceram um grande fascínio. Talvez, um dia, eu tenha mesmo que acabar fazendo alguma terapia para entender o porquê desta atração peculiar.

O que passa pela minha cabeça como um rascunho de resposta para esta questão tem a ver com o momento atual pelo qual passamos. Vivemos num mundo e num tempo onde impera a ditadura do sucesso. Por sinal, não basta apenas ter sucesso, mas, principalmente, parecer que tem.  Estes sujeitos poderiam, a qualquer momento, ter optado por outra forma de viver e fazer. Poderiam, por isso, ter vivido mais e melhor. Mas, foram tão fiéis à sua forma de enxergar o mundo que se sujeitaram a uma vida repleta de privações. Uma vida onde o que sobrava era o pouco. Eu admiro esta autenticidade. Estes caras sofreram pra caramba, mas não se venderam. Mas por que o fizeram?

Thoreau, Edgar Allan Poe, Schubert, Modigliani, Oscar Wilde, Rembrandt, Sócrates, Van Gogh, Pessoa… a lista é enorme. Nomes que figuram no topo de qualquer lista dos expoentes nas suas respectivas áreas. Todos morreram na pobreza. Enquanto isso, no mundo moderno, assistimos com frequência a alguns “artistas” podres de ricos que não teriam estatura para amarrar os sapatos destes pobretões. Podres ricos ou pobres de ricos? Não sei.

Falando em Pessoa, atentei ultimamente que, nos seus últimos anos de vida, ele se dedicou quase completamente a deixar a sua obra a mais perfeita possível. Ele revisou inúmeras vezes inclusive os poemas já publicados. Pessoa até teria declarado que seria reconhecido, mas 50 anos depois.    Se ele falou isso, tinha, de fato, razão, pois foi exatamente 50 anos depois da sua morte, em 1985, o ano decisivo para o escritor. Foi o ano que decretou o seu grande reconhecimento, a sua consagração mundial como grande poeta.

Van Gogh dedicou os últimos dez anos de vida à pintura. Ele pintou quase 900 quadros. Fez mais de mil desenhos. No entanto, a sua biografia aponta que ele vendeu apenas uma pintura (A vinha encarnada).  Eu me pergunto: o que impulsionava Vincent a pintar se ninguém o aplaudia?

Esta é a questão que me persegue quando penso nesses sujeitos rejeitados, decrépitos e mal vestidos.  O que os empurrava? Por que não foram fazer outra coisa? Qual era motivação deles?

Foi com este filhote de revelação que convivi nestes dias. E foi a partir de Pessoa que acredito ter encontrado uma resposta. Se estes caras não encontravam entusiasmo nos seus passados e, principalmente, na atualidade na qual viveram, só poderiam encontrar num lugar. Isto mesmo, você entendeu: no futuro. Foi o sonho com um reconhecimento futuro que serviu de alimento para manter a determinação destes grandes artistas que deixaram os seus nomes marcados na história e um enorme legado para a posteridade da humanidade.

Este pensamento me consolou por uma razão simples: eles podem, portanto, ao modo particular deles, ter sido minimamente felizes. Felizes não pelo que viram ou viveram, mas pelo que nunca veriam e viveriam. Felizes pela herança, contaminados de futuro.

 

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