Nós que aqui estamos

03 de dezembro, 2016 - por Max Franco

Nós que aqui estamos por vós esperamos

Em nova estada pelas antigas terras de Portugal, nesses dias de dezembro, pela primeira vez fui ao Alto Alentejo. Já vi muita coisa nessa vida, por isso, não é tão comum que algo consiga me trazer alguma impressão fora do ordinário. Quero dizer que a Capela dos Ossos, em Évora, bem que pode merecer esta alcunha de “fora do ordinário”.
Já tinha lido algo sobre a Capela de Évora e a sua “decoração” inusitada de ossos humanos. Mas, ali é um excelente exemplo do abismo que existe entre o abstrato e o concreto, entre o virtual e o real, porque, in loco e ao vivo, contemplar tantos restos de seres humanos servindo de “acessórios de ambientação” é algo que puxa reflexão.
Como também atrai filosofias o texto que nos convida a entrar no recinto: “Nós, ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos.” Convenhamos, pensar nesta frase só não desperta arrepios num sujeito se ele não pensar direito. O duro desta afirmação é que ela é verdadeira. Na verdade, ainda é pior, pois seremos menos que ossos. Seremos nada. A frase verdadeira seria “Nós, que somos nada, esperamos pelo vosso nada”. Afinal, haverá este dia, o dia pós-ossos, o dia depois do pó, e, finalmente, o dia do nada, quando nem o nosso nome será lembrado ou citado. Quando nem sequer um mero fragmento da nossa existência resistirá ou ecoará sobre grande nada que continuará sobrevivendo.
Não é apenas isso, portanto, que somos: uma centelha de vida, vulgar e passageira, desprezível e fugaz, pouco relevante e quase isenta de heranças? O que deixaremos de real valor que possa servir como algum legado para as próximas gerações além dos nossos ossos ou, pior, do nosso nada?
Pensar assim é meio macabro, eu sei. Mas é o que nos empurra a pensar quando entramos num lugar desta natureza, na transitoriedade desta antessala de funeral que chamamos de vida. Porque, em stricto senso, é isso o que somos: pré-defuntos saltitantes. Todos evitando a morte, até os suicidas, que não desejam morte, mas estão dispostos a abraçá-la para fugir da vida miserável que tem. Todo suicida é um refugiado que não pretende mais voltar.
É isso que causa entrar neste lugar de morte e de mortos: pensar na vida. Pensar na ditadura da sua finitude e na sua diminuta duração. Em tudo aquilo que poderia fazer para que este lampejo brilhe mais intensamente e possa iluminar as pessoas que amo.
A vida é um caminho sombrio sem pessoas para se amar. É gratuito, mesmo com essas pessoas. Não existirão nossos fósseis nos testemunhando no futuro.
Não escutarão nossas vozes nem lerão nossas palavras.
Então, nada nos resta senão resistir uma resistência vã, que a de alumiar cada tênue encontro. O candeeiro é sempre o mesmo, o mais fugidio de todos os sentimentos, o amor.
Eu acredito:
– Quando não houver mais nada, nem ossos, nem vozes, nem palavras, nem sequer lembranças caminhando sobre a terra, quem vai pairar acima do limbo e do vazio é o amor. Todo o amor que houve nesta curta vida.

Para Rebeca Pinto.

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