10 anos de Literatura

15 de fevereiro, 2017 - por Max Franco

Faz dez anos exatamente que decidi empunhar com seriedade a pena da escrita. Espero – também seriamente -não ter inspirado tanta pena aos contemporâneos.

Há dez anos, “Na corda bamba”, meu primeiro livro, deixou de ser sonho, migrou para o pensamento e virou papel.  É bacana imaginar quantas pessoas leram meus sonhos e pensamentos. É uma espécie de telepatia.

Hoje, tanto o “Na corda bamba”, quanto a sua sequência, o “No fio da navalha” voltam às minhas mãos revistos e repaginados. Com eles, também me retornam a mesma emoção sentida faz dez anos. Uma emoção parente daquela paterna ao ver o filho, pela primeira vez na maternidade. E depois embrulhar o filho e levá-lo para casa. Hoje, revisitei uma antiga emoção: busquei dois filhos, de roupa nova, penteados e cheirosos, coloquei-os no colo com carinho e os trouxe para casa.

A casa, porém, destes filhos é muito maior do que a minha. Até porque serão diversas casas. Tantas mãos irão acarinhá-los? Quantos olhos vão pescrutá-los? Não sei, nunca saberei. Apenas sei que publicar um livro é sempre um salto para a imortalidade. Afinal, muitos anos depois de mim, as minhas letras e palavras, o meus sonhos e pensamentos, teimarão em continuar soando, reverberando, emocionando. Minha boca, mesmo emudecida há anos, ainda falará. Escrever, portanto, é sempre não morrer, mesmo depois de morto.

Que venham, então, por muito tempo, tantas palavras.