Storytelling na Educação

28 de fevereiro, 2017 - por Max Franco

Nos últimos anos, tenho me dedicado a me aprofundar nesse mundo fascinante do storytelling. Já perdi, portanto, a conta da quantidade de livros e artigos que li, além de vídeos e podcasts que acompanhei. O material – devo dizer – é vasto , fascinante e inesgotável. Tanto que, em 2015, estava dando aula da disciplina de Storytelling na Inova Business School e no Instituto Brasileiro de Formação de educadores, ambos em Campinas, quando fui convidado pela Editora Atlas para escrever “Storytelling e suas aplicações no mundo dos negócios” e, desde então, tenho ministrado aulas, palestras e workshops em diversas cidades do país tratando do tema.

Nos últimos meses, tenho sentido o desejo de novamente me debruçar sobre o assunto e produzir algo no campo da Educação. Sou professor desde os meus 18 anos e já desenvolvi diversos projetos dentro de escolas como coordenador de Artes e Viagens pedagógicas e como diretor de projetos de inovação. Considero, portanto, que estes quase 30 anos de experiência me credenciam a pronunciar alguma coisa sobre Storytelling no mundo da Educação.

A verdade é que posso me aventurar a dizer que o Storytelling nasceu como uma ferramenta pedagógica tanto quanto de entretenimento. Sabemos  que a história nasceu com a invenção da palavra, sem dúvidas, a maior e mais polêmica invenção humana. E, desde o momento em que o homem foi capaz de criar sons com significado, ele também criou narrativas. Estas narrativas, decerto, não tinham apenas a função de entreter a platéia ao redor das fogueiras ancestrais, mas também de trazer ensinamentos e exemplos para os demais. Assim nasceram os contos de fadas, os mitos, as lendas… Todos com um fundo moral, para não dizer “pedagógico”.  Sócrates, Platão, Buda, por exemplo, contavam histórias para os seus seguidores. Jesus, um excelente storyteller, ilustrava o seu evangelho, a sua “boa nova”, com as inesquecíveis parábolas.

O storytelling, a “Arte de contar histórias”, é uma prática que nos segue desde o berço. E é, certamente por isto que, até hoje tem tanta penetração. Quer a atenção de alguém? Simples: conte uma história. Quer mais ainda? Conte bem uma boa história! Como poderíamos prescindir de uma ferramenta tão envolvente logo em sala de aula? Há tarefa mais difícil, atualmente, do que atrair a disputada atenção de crianças e jovens?

Estou seguro de que o storytelling é mais uma das eficientes tecnologias, ao lado de tantas outras, que deveriam ser mais utilizadas na Escola. O problema é que, da mesma forma que o professor precisa ser treinado para fazer o uso adequado de computadores, softwares, materiais didáticos e paradidáticos, também precisa ser preparado para ser um eficiente storyteller.

Para Oren Klaff, no seu excelente livro “Pitch anything”, sete cada dez pessoas se dispersam durante um discurso de natureza retórica.  Em outras palavras, se quiser perder a atenção de alguém, é só lhe fazer um discurso.  No entanto, se quiser prender, seqüestrar para não soltar mais, de fato, cativar a atenção de um sujeito basta lhe contar uma boa história. Imagina o poder de engajamento que fazer uso de tal recurso consegue chegar em sala de aula?

A TV, o cinema, a publicidade, a Literatura e o teatro sabem deste segredo mais do que qualquer um e alcançaram um sucesso inimaginável utilizando este expediente de contar histórias. Como a Escola poderia rejeitar tal acessório?

A Escola, mais do que nunca, precisa ser um ambiente de aprendizagem acadêmica e de valores. Precisa se tornar um local onde se aprenda com debates, experiências, criatividade, estudos, disciplina e, obviamente, também com prazer.  Por isso, estou convicto de que todo bom professor, além de dominar o seu assunto também deve ser um grande contador de histórias. Afinal, histórias, há muito tempo, em todos os lugares, são fontes inesgotáveis de aprendizado e prazer.

 

Quer um exemplo de uma boa história para estimular o seu aluno? Vamos falar de Thomas Edison.

 

O jovem Thomas Edison poderia ser acusado de tudo, menos de ser um aluno aplicado. Na verdade, ele era visto pelos seus professores como deplorável.  Tanto que, certo dia, Thomas chegou à casa com um bilhete para sua mãe.

– Meu professor me deu este papel para entregar apenas a você.

Escaparam lágrimas dos olhos da sua mãe quando ela leu o conteúdo da missiva.

– O que houve, mãe? Eu fiz algo errado?

A mãe limpou as lágrimas do rosto e acalmou o garoto reabrindo a carta.

– Estou chorando de alegria, Tom! Você me enche de orgulho. Vou ler para você e aí entenderá  o motivo de tanta felicidade: “Seu filho é um gênio. Esta escola é muito pequena para ele e não tem suficiente professores ao seu nível para treiná-lo. Por favor, ensine-o você mesmo!!”

A mãe de Edison era professora de ciências e , a partir disto, o garoto estudou em casa com a sua ajuda. Como sabemos, Thomas Edison é o inventor do protótipo que viria a se tornar a lâmpada  incandescente, do fonógrafo e de outros quase 2 mil  projetos. Thomas Edison morreu milionário e famoso pelas suas importantes contribuições para a humanidade. Edison veio a se tornar um dos maiores inventores da história.

No entanto, depois de muitos anos, após o falecimento de sua mãe, ele encontrou a velha carta e resolveu lê-la. Para sua surpresa, a antiga carta que seu professor havia mandado para sua mãe tinha um conteúdo completamente diferente daquele que soubera:

“Seu filho é confuso e tem problemas mentais. Não vamos deixá-lo vir mais à escola!!”

Edison chorou durante horas e então escreveu em seu diário:

“Thomas Edison era uma criança confusa, mas graças a uma mãe heroína e dedicada, tornou-se o gênio do século.”

–  Quantos Thomas Edisons deixaram de ser Thomas Edison porque alguém os podou com frieza e crueldade? Quantos Thomas Edisons deixaram de existir por causa de uma escola fria e castradora? A escola é um espaço de promoção de criatividade e Humanidade ou o contrário? Existem certos momentos da vida onde é necessário mudar o “conteúdo da carta” para motivar alguém e para que o seu objetivo seja alcançado.

 

Aqui, deixo também um excelente provocação do Ken Robinson sobre a Criatividade na Escola: