Aula ou Oficina? O sucesso do método “Três”

08 de novembro, 2019 - por Max Franco

O grande educador Pacheco, um dos criadores da famosa Escola da Ponte, costuma atirar uma provocação nas suas palestras:

-Aula não ensina e prova não avalia!

Quando ouvi essa frase, fiquei logo em crise.

“E agora o que eu faço se só sei dar aulas para viver?”, foi que pensei angustiado.

Mas – por sorte – não foi uma daquelas angústias que nos atira à cama ou à bebida, ou, pior, a ambas. Foi uma angústia sartrianas que nos empurra ao trabalho.

Eu já andava, há alguns anos, envolvido nos estudos das chamadas “Metodologias ativas”. Já produzia conteúdos tratando dos métodos do PBL, sala de aula invertida, Storytelling, Gamificação, entre outros. Inclusive, já havia escrito “A jornada do aprendiz: storytelling e metodologias ativas na Educação”. Entretanto, ainda acreditava no poder indiscutível da “aula”. Porém, “aula” é ainda algo que um professor ministra e alguém recebe, não?

Pois é, eis a crise! Como podemos falar de protagonismo, de participação, de aprendizagem ativa, se ainda temos esse mindset?

Foi nessa trilha que outra questão essencial me ocorreu. Será que a aula expositiva, aquela velha aula, a tradicional, não estava sendo demasiado demonizada? Não haveria como fundir, usar o melhor de cada uma, para criar um blend, uma composição pedagógica, que pudesse funcionar de maneira customizada e eficiente no processo ensino-aprendizagem?

Foi Freire que veio me salvar:

-A teoria sem a prática vira ‘verbalismo’, assim como a prática sem teoria, vira ativismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade (Paulo Freire)

A “Aula” portanto não precisa ficar apenas em aula. Algo mais pode (e deve) acontecer. O ideal é que toda aula seja planejada para reunir diversas atividades, inclusive a exposição. A aula, então, poderia ser chamada de “oficina”, por exemplo. Um momento no qual a aprendizagem pudesse ser construída coletivamente, trazendo à baila as experiências, prerrogativas, vivências e necessidades dos participantes daquele evento.

O professor, nessa abordagem, não é apenas um expert, um especialista de alguma área, mas, principalmente vai funcionar como um líder de equipe, um curador de conteúdos, um mentor e um proponente de desafios direcionados para aquele grupo específico.

Debatendo com meu amigo educador Marcelo Veras, chegamos à determinada teoria sobre como deveria ser a “aula perfeita”. Concluímos, depois de muitas idas e vindas, que essa aula ou oficina, deveria ser dividida seguindo o modelo de Aristóteles, quando trata das narrativas. Isto é, em três partes:

  • Introdução – Apresentação dos conceitos
  • Desenvolvimento – Oficina (debates, problematizações, storytelling, games, trabalhos, atividades makers, etc)
  • Conclusão – Fechamento

Nós acreditamos tanto nesse modelo tríptico ou nessa tríade, que ele vai virar uma pauta obrigatória nas nossas práticas em sala de aula em todos os cursos de pós-graduação no Instituto Brasileiro de Formação de Educadores. Os nossos professores não só serão estimulados a utilizar em todas as suas aulas essa metodologia, mas também serão avaliados pelos alunos seguindo esses critérios.

Logicamente, eu também me dei conta de que poderia trazer para as minhas palestras e oficinas de formação de professores essas técnicas e, desde então, observo uma mudança substancial na performance, na compreensão,  principalmente, na avaliação dos participantes nos meus workshops de storytelling e metodologias ativas.

A minha sugestão é que você que também trabalhe com Educação faça essa experiência, aprofunde-se nos conceitos das metodologias ativas e traga para a sua prática o método “Três”. Você verá que a sua “aula” ou oficina alcançará um patamar de desempenho, de participação e de qualidade que você nem imagina.

É isso.

 

#metodologiasativas

#storytelling