Metodologias ativas e ensino de arte nas escolas

30 de dezembro, 2017 - por Max Franco

Quando se fala de “ensinar Arte”, já não me cheira bem o uso do verbo.

Acho que Arte é coisa que se aprende, mas que não se ensina.

Além do mais, geralmente, é reducionista. Quando tratamos na escola básica de “ensino de Arte”, confunde-se com ensino de artes plásticas ou de desenho e pintura, o qual, muitas vezes, se resume em entregar para as crianças papel e giz de cera.

Precisamos, aqui, dizer uma dolorosa verdade: o estudo de Arte nas escolas básicas nunca foi muito valorizado. A criança, muitas vezes,  não é levada a produzir e sim a meramente reproduzir e, por isso, se dedica a ligar pontos e a pintar figuras trazidas pelo professor que concentra todo o processo de ensino-aprendizagem nas suas mãos sujas de tintas.

A Base Nacional Curricular Comum propõe um estudo muito mais amplo quando trata de Arte como disciplina. Os alunos devem, na verdade, estudar Música, Dança, Teatro e Artes visuais (cinema, fotografia, pintura e escultura) e, não, apenas as artes plásticas.

Atualmente, a tendência que norteia a área é sociointeracionista, que defende um misto de produção, reflexão e apreciação de obras artísticas. O papel da escola para a BNCC é “ensinar a produção histórica e social da arte e, ao mesmo tempo, garantir ao aluno a liberdade de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com base em intenções próprias”.

Hoje, estou convencido, o professor, quando quer centralizar apenas sobre si a protagonização do processo ensino-aprendizagem , ele só demonstra que sabe o “conteúdo”, mas contribui pouquíssimo para que o aluno crie uma relação emocional e um diálogo real com o autor ou com a obra. Na verdade, o professor pode atrapalhar mais do que ajudar a criar o que chamamos de “fruição” da obra de arte.

Fruir está relacionado com o ato de desfrutar ou ter prazer com algo.

Esta é a questão: não é preciso que o aluno saia de uma experiência de contato com Arte “sabendo” tanto, mas tendo conseguido uma relação prazerosa com o objeto. Depois, caso o próprio deseje se aprofudar e se especializar na modalidade artística, ele poderá buscar as fontes.

António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa e um dos maiores teóricos da Educação atual, não economiza palavras para definir o papel do professor na atualidade: “O professor tem de ajudar o aluno a transformar informação em conhecimento. O que define a aprendizagem não é saber muito, é compreender bem o que se sabe. O bom profissional é aquele que consegue que, no fim, o aluno goste daquilo que, no princípio, não gostava nada”.

Não permita que o conteudismo se insinue pelas frestas das portas e janelas da sua sala de aula. Principalmente, se você atua como professor de Arte e Literatura (que também é Arte!), transforme o momento com seus alunos naquela hora de prazer, de descobertas, de experimentação, de experiência e de muita criatividade. Você vai ver, caso o faça, você terá estimulado a criação de uma geração de amantes da Arte.

E, como sabemos, quem se relaciona bem com Arte,  pode até não virar um grande artista, mas tem tudo para se tornar um ser humano mais sensível, mais empático e melhor localizado no mundo.