Educar e contar histórias

24 de julho, 2017 - por Max Franco

Educar e contar histórias

 

Tudo indica que o storytelling, ou o hábito de contar histórias, nasceu como uma ferramenta pedagógica.   Basta ver, por exemplo, as fábulas de Esopo ou os contos de fadas, os quais remontam períodos muito mais remotos do que a idade média.  Todos estes relatos trazem um viés de “ensinamentos”, os quais tinham a função de entreter e, ao mesmo tempo, trazer lições de moral que sirvam como referências éticas para a comunidade.

Hoje, conta-se histórias por muitas razões. Para envolver clientes, engajar colaboradores, vender produtos, promover serviços, divulgar marcas e, entre outras coisas, também, para educar, mas, muito menos do que se devia. O problema é que, por alguma razão ignota, a “contação de histórias” virou uma ferramenta explorada, apenas, para crianças.   Como se crianças fossem consumidoras de histórias e os jovens e adultos, não.  A questão é que contar histórias para adultos exige técnicas que poucos dominam. Você sabe que não é Spielberg nem George R. Martin. Você sabe que Lista de Schindler ou Game of thrones não são fáceis de criar.  Não obstante, não precisa tanto para você conseguir fazer uso da metodologia do Storytelling no seu cotidiano como educador. Basta você conhecer quais são as técnicas e aplicá-las quando for propício. É sempre bom aumentar o seu repertório.

No caso da criança (mas não só dela), o Brasil é um país celeiro de bons contadores de histórias e histórias com viés educacional. Temos Monteiro Lobato,    Ziraldo, Ruth Rocha e, é claro, Mauricio de Sousa. Claro! Precisamos falar do criador da famosa Turma da Mônica.

Na semana passada, tive o privilégio de conhecer a Mauricio de Sousa Produções e o resultado foi que a minha admiração, que já era grande, triplicou. A razão desta admiração é explicada por vários motivos, principalmente, pelo fato de a Disney ser majoritária em todos os países do mundo, menos no Brasil, quando se fala em revistas em quadrinhos.  A Turma da Mônica vende acima de 2 milhões por mês. Num país que lê pouco e mal, é um fenômeno que a “Turma” seja popular e, em especial, digna de nota, por ter ajudado a alfabetizar um sem número de pessoas. Por sinal, este é o maior orgulho do seu criador.

Outro fator que merece ser evidenciado é a diversificação dos produtos oriundos da Turma da Mônica. São inúmeros produtos licenciados, shows, Mônica jovem, desenhos animados, Mônica  Toy (para youtube), livros  e tanta coisa que nem dá para citar sem esquecer. A Mauricio de Sousa Produções é um caso clássico de sucesso obtido em virtude de muita perseverança, ousadia, criatividade e, obviamente, qualidade.

Há sempre, não obstante, algum ruído provocado pela patrulha do politicamente correto. Por incrível que pareça, não falta gente que subestime a inteligência das crianças ao ponto de questionar as peculiaridades da turma mais querida do país. Há, realmente, quem pense que alguma criança vai falar “elado” como o Cebolinha porque lê a revista. Ou que vai sair por aí agredindo às outras com coelhos de pelúcia, ou não vai tomar banho, ou vai se tornar obesa por comer demais… Sim. Há gente para tudo. E gente demasiado ociosa!

Por sorte, parece que por aí ainda há mais sensatez do que burrice, porque a Turma da Mônica só cresce no nosso país e, por sinal, tendo cada vez mais entrada nos outros.  A Mônica é produto de exportação.

Aqui, destaco o trabalho social e pedagógico da Turma da Mônica fazendo um papel fundamental de educar através das suas histórias. Exatamente como nasceram as histórias. Entretendo para educar.  Podemos conferir, por exemplo, a Turma tratando de Ecologia, Sustentabilidade, Bulliyng,  Educação no trânsito, Empreendedorismo, Saúde bucal, entre outros. É como a mãe que pega uma cenoura e faz um bonequinho. A criança vai comer o legume pelo efeito lúdico. O Storytelling  é sempre eficiente quando bem feito e, principalmente, feito para o bem.

Por isso, o povo brasileiro tem razão de sentir orgulhoso pelos feitos de Mauricio de Sousa,  não só porque é um grande empreendedor, mas também por ser um dos nossos maiores e melhores contadores de histórias.