A Escola Maker

28 de novembro, 2019 - por Max Franco

– O movimento maker é o novo bilinguismo?

Tudo indica!

Há uma aplicação antiga de storytelling, tão usada que já ficou encardida, que relata que o “O professor é o único profissional que não estranharia o seu ambiente de trabalho, caso fosse congelado por 200 anos e descongelado atualmente”.

Há professores e professores, da mesma forma que há advogados e advogados e ubers e ubers. Entretanto, principalmente nos últimos anos, foram incontáveis as iniciativas no mundo da Educação que contrariam “com força” essa máxima do “professor congelado”. Entre as diversas novidades, podemos citar todas as metodologias ativas (PBL, sala de aula invertida, gamification, projetos, storytelling, rodas de discussão, entre outras), métodos Waldorf, construtivista, montessoriano,  o bilinguismo e, é claro, a última grande onda do mundo educacional, a onda maker.

Não são poucas as empresas que, só nesse último ano, apareceram com uma promessa de entregar métodos de aula mão na massa. Laboratórios, oficinas ou salas maker estão pipocando em escolas das mais diversas latitudes, no mundo e, também, no Brasil.

O cenário de competitividade das escolas particulares no Brasil é um ambiente perfeito para o surgimento de novidades. Muitas acabam indo embora com a mesma rapidez com a qual chegaram. Foi o que houve com os tablets e as lousas digitais. Esqueceram de “combinar com os russos” quando vieram com essas propostas. E a Rússia, nesse caso, foi a falta de formação e de treinamento dos professores. Não adianta muita tecnologia, sem metodologia,. Não adianta maquinário sem profissionais com expertise para manejá-los com desenvoltura. Isso também ocorre com as demais metodologias ativas e, bastante, com o bilinguismo. Afinal, quantos professores de matemática ou de geografia dominam o inglês com fluência? Não é nada simples.

No caso do Maker, a consequência dessa tendência é que muitas escolas estão trazendo para a sua proposta pedagógica essa promessa de por mais prática no cotidiano dos alunos. É um ganho para todos. Ainda mais se conseguirmos associar com uma das palavras do momento, um vocábulo que traz lágrimas aos olhos de muitos pais da modernidade. Isso mesmo, o empreendedorismo.

O barateamento no mercado de aparelhos como a impressora 3D e a cortadora laser vem a calhar para a criação de oficinas maker dentro de escolas e faculdades. O que falta, então?

– Falta muito!

A pressa de surfar nessa onda pode acarretar o surgimento de projetos sem consistência e, principalmente, escorregar em erros que já viraram clichê. Não há como funcionar toda e qualquer inovação no mundo da Educação sem trabalho de base. Formar professores é uma prerrogativa para a definição da fronteira entre uma iniciativa que se desenvolva e ganhe escala e o atalho para virar uma mera modinha e sumir rapidinho.

A Oficina Educacional tem realizado treinamentos em metodologias ativas há alguns anos e, também, está orientando um projeto maker que está sendo pilotado no Colégio Mater Christi, no Rio Grande do Norte. A primeira fase do projeto foi um esmerado processo de formação contínua de professores. A segunda fase está sendo a da concepção e construção do projeto maker, inclusive com a construção de duas salas voltadas para a prática, uma sala de metodologias ativas e a outra que é uma Oficina Maker. A terceira fase vai ser realizada no cotidiano escolar, a partir de fevereiro de 2020.

As práticas do Projeto Maker são definidas por desafios que devem ser encarados pelas equipes de estudantes. Todos os desafios são narrativas que trazem sempre elementos lúdicos adequados às fases e faixa etária de cada grupo de alunos. Como metodologia, o Maker Educ trabalha associando o PBL (problem based learning) ao storytelling, com o objetivo de engajar mais ainda as crianças e adolescentes.

“O alarme toca e todos na cidade de Nova Aquitânia sabem o que isso significa. A cidade está em perigo. É um ataque. As sirenes só são acionadas quando há tentativa de invasão.

Sem saber como reagir, todos se escondem nas suas casas. Não há som de absolutamente nada. A população está apavorada e, pior, ciente da sua incapacidade de se opor ao ataque. Talvez, seja o último momento de vida de cada um. As emissoras de Tv’s e de rádios anunciam o que todos já temiam: Nova Aquitânia sofre ataque inimigo! 

Você sabe que precisa ajudar a todos, você tem conhecimento para combater o inimigo. A cidade só pode ser salva por você. Você decide construir uma catapulta para entrar nessa guerra.

 

Sua missão

Usando os materiais fornecidos e sua criatividade, faça uma catapulta que lance um projétil com o maior alcance possível.”

Acreditamos que o movimento maker pode realmente se tornar um grande referencial para alunos e professores que desejem desenvolver uma prática educacional mais antenada com as tendências de protagonismo e participação que o mundo atual tanto demanda e que, inclusive, são prescritas pela BNCC. Contudo sabemos que vontade não é único ingrediente em uma experiência de sucesso. Faz-se necessário trazer outros componentes e, entre eles, podemos elencar experiência, fundamentação teórica, planejamento, condução, timing e, sem dúvidas, uma equipe de profissionais preparada e motivada.

Sem esses elementos, talvez deveríamos ter deixado o tal professor ainda congelado.